07/04/2003 10h22 – Atualizado em 07/04/2003 10h22
TANEGASHIMA, Japão — Com seu quinto lançamento de um foguete H2-A, no fim do mês passado, o Japão garantiu um lugar no seleto grupo de países capazes de alcançar o espaço, mas as autoridades do setor estão tendo poucos motivos para comemorar, nesses dias.
O H2-A ainda não encontrou um lugar no mercado de lançamentos comerciais, e talvez jamais encontre.
Verbas para encomendas do governo estão escassas e, sob intensas pressões orçamentárias, a Agência Nacional de Desenvolvimento Espacial passará por uma fusão com outras agências governamentais relacionadas ao espaço, ainda neste ano.
Em dois anos, a produção de foguetes e os serviços de lançamentos espaciais serão repassados para o setor privado.
“Este ano é muito importante, crucial”, disse Shuichiro Yamanouchi, o presidente da agência espacial. “Agora, nós devemos montar novas estratégias”.
O Japão tem motivos para se orgulhar de seus feitos no espaço. Sua sonda “Nozomi”, lançada em 1998, passou duas vezes pela Lua e deve chegar a Marte no próximo ano.
Sondas japonesas já a coletar importantes dados astronômicos.
Mas a peça-chave do programa tem sido o desenvolvimento de foguetes, culminando com o H2-A.
Mas, mesmo com o sucesso tecnológico do H2-A, o Japão terá que disputar as sobras de um mercado de lançamento de satélites dominado pelos Estados Unidos, a Rússia e a Europa.
“Houve apenas 20 lançamentos em 2002; isso é apenas um mercado de dois bilhões de dólares, no nível mundial”, disse Yamamouchi. “Não será fácil entrar nesse mercado enquanto encolhe”.
O revés causado pelo desastre do Columbia, em fevereiro, teve reflexos em todo o setor espacial.
O Japão é o segundo maior investidor na Estação Espacial Internacional, depois dos Estados Unidos, mas a tragédia já levou à suspensão de vários vôos e projetos.
“O programa espacial do Japão não obterá nenhum benefício comercial a curto prazo”, previu Shinya Aihara, analisa da Fuji Research Institute Corp., em Tóquio.
“Devido ao estado da economia, o governo terá que convencer os contribuintes sobre os méritos de levar adiante” o programa espacial, acrescentou Aihara.
Yamamouchi e outras autoridades disseram que uma grande desvantagem para o programa tem sido a falta de investimentos militares, embora isso possa estar mudando.
Preocupações militares
As autoridades japonesas têm tido crescentes preocupações com o programa nuclear da Coréia do Norte e a capacidade deste país de produzir mísseis.
Depois que a Coréia do Norte testou um míssil de longo alcance, que sobrevoou território japonês, em 1998, o Japão investiu dois bilhões de dólares em um programa de vigilância, que envolverá o lançamento de pelo menos quatro satélites de espionagem ao em dois anos.
O lançamento dos primeiros dois satélites ocorreu em 28 de março, levando a Coréia do Norte a emitir uma nota de protesto, na qual acusou o Japão de iniciar uma corrida armamentista no leste da Ásia.
Os tons militares do lançamento, e suas reverberações regionais, também causaram preocupação em casa.
“Definitivamente, o governo não deveria se desviar de sua política básica de defesa”, comentou o Asahi, o maior jornal do país, em um editorial.
“O governo deveria explicar a outros países, incluindo a Coréia do Norte, que o Japão usará seu programa de satélites apenas para fins defensivos”, completou.
(Com informações da Associated Press)






