07/04/2003 10h25 – Atualizado em 07/04/2003 10h25
BRASÍLIA — A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está desenvolvendo o projeto de um robô que solda, esmerilha e analisa a estrutura das turbinas hidrelétricas sem a interferência humana, a fim de facilitar o trabalho de manutenção e recuperação.
O projeto envolve 22 pesquisadores e 18 bolsistas distribuídos por seis laboratórios, sendo cinco da própria UFSC e um da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), de acordo com a Agência Brasil.
Quando entrar em operação, o Sistema Automatizado para Recuperação de Rotores de Turbinas Hidráulicas de Grande Porte, ou simplesmente Roboturb, concluirá um processo iniciado em 1998 e que exigiu muito trabalho teórico e experimental, segundo os pesquisadores.
“Estamos concebendo desde a forma do robô, que é sua estrutura, até a arquitetura computacional de hardware e software”, explicou Raul Guenther, coordenador do Laboratório de Robótica da UFSC.
A primeira fase do projeto, financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e pela Copel, possibilitou a construção de dois protótipos que foram testados e aprovados em laboratório.
Já a segunda fase, que tem financiamento da Furnas Centrais Elétricas, prevê a montagem de mais dois robôs e a realização de testes de campo.
“Nosso compromisso com a Furnas prevê o início dos testes de campo dentro de um ano e meio”, disse Guenther à Agência Brasil.
Genuinamente nacional, o Roboturb ajudará no trabalho dos profissionais responsáveis pelo controle da cavitação, um processo de erosão provocado pela água que circula dentro dos rotores.
A cavitação penetra na estrutura de aço das turbinas, furando e arrancando pedaços do metal.
Se o processo não for controlado a tempo, uma turbina, que chega a custar dois milhões de reais (cerca de 600 mil dólares), pode virar sucata.
Inspeções
Então, para evitar a degradação da peça, as turbinas são inspecionadas por profissionais especializados no intervalo de cada cinco mil horas de uso.
Se a estrutura estiver contaminada pela cavitação, a única maneira de evitar a perda da turbina é a soldagem das cavidades abertas pela erosão, com posterior esmerilhamento das partes recuperadas.
Os soldadores trabalham confinados em um espaço de pouco mais de meio metro de largura e onde o ar fica saturado de partículas metálicas prejudiciais à saúde.
É esse pessoal, submetido ao ambiente insalubre e subumano gerado pelo processo de soldagem, que o robô substituirá.
O trabalho de inspeção das turbinas continuará sendo feito pelo homem.
Depois de identificar os pontos atingidos pela cavitação e que precisam ser reparados, o funcionário instala o robô nas proximidades da área atingida e o programa para executar o serviço.
Equipado com sensor a laser e um moderno sistema de soldagem capaz de reduzir em até 50 por cento a necessidade de esmerilhamento das partes recuperadas, o Roboturb executa sete movimentos coordenados e se desloca sozinho sobre pequenos trilhos.
O sensor acoplado ao braço mecânico da máquina interpreta os dados coletados no interior da turbina e localiza os pontos exatos de soldagem e de esmerilhamento, um procedimento que libera grandes quantidades de poeira metálica.
A manutenção robotizada já é aplicada com sucesso no Canadá que, a exemplo do Brasil, também tem muitas hidrelétricas.
Além de evitar que os funcionários fiquem submetidos a um ambiente inóspito, o uso do robô reduz o tempo gasto na recuperação dos danos causados pela cavitação e os custos gerados pela paralisação da turbina, estimado em 20 mil reais por hora parada.
Mais moderno
O robô brasileiro vai competir com o modelo canadense Scompi, cujo o aluguel atualmente custa 50 mil reais por semana, e terá muito trabalho pela frente prestando serviços à diversas produtoras de energia.
Calcula-se que das 190 turbinas de grande porte instaladas no país, cerca de 30 por cento, ou 55 unidades, tenham problemas com a cavitação.
Os royalties gerados pelos serviços prestados a terceiros serão repassados à universidade que detém os direitos de patente da máquina.
O Roboturb é uma evolução do robô canadense, que é grande demais, executa apenas seis movimentos e precisa da ajuda humana para se movimentar sobre os trilhos.
Segundo Guenther, “o equipamento nacional costura vários conhecimentos e inovações em um único projeto”.
“Nossa meta é dominar a capacidade de construir e programar robôs que interagem com o meio ambiente”, disse o pesquisador.





