05/04/2003 10h04 – Atualizado em 05/04/2003 10h04
Em 1994, um grupo de adolescentes que frequentava o distrito de Harajuku, em Tóquio, percebeu que para se expressar, precisavam de mais do que as vitrines podiam oferecer. Numa panela só, juntaram referências da tradição milenar japonesa e da cultura de massa vinda do ocidente, criando o que o fotógrafo japonês Shoichi Aoki classificou como a moda de rua japonesa. Engraçada, excêntrica, extravagante, criativa e por vezes ridícula. Tudo isso fazia parte do novo layout da rapaziada, que na época não passava de 22 anos. Sem medo de serem felizes, começaram a fazer suas próprias roupas e ressucitar coisas antigas, assaltando brechós ou o armário da avó. Algumas roupas de marca, especialmante Viviene Cabelos coloridos, dreads, tamancos de gueixa com pantalonas, meias arrastão, bichinhos de pelúcia pendurados, algumas sobreposições incríveis, outras duvidosas. Valeu de tudo. Até o agasalho da aula de educação física virou item obrigatório.
Até então, nenhuma garota japonesa tinha usado um quimono por cima de um jeans, muito menos encrespado o cabelo a la Ângela Davis, dos Panteras Negras. A moda japonesa, que já havia mostrado sua cara para o mundo na década de 80, através de mestres da alta costura como Rei Kawakubo e a marca Comme Des Garçons, ainda não tinha dado seu grito de independência nas ruas. No máximo, tímidas réplicas das roupas que os japoneses viam na vitrine e mandavam fazer.
A onda se espalhou rápido demais e a cada semana os pioneiros do movimento inventavam uma novidade para superar as imitações, e Aoki observou que as tendências acabavam se resumindo em três principais estilos. O de brechó, ou vintage, que cai super bem quando misturado com roupas modernas, agasalhos e jeans; o cyber, da galera de trajes mais futuristas e cabelos coloridos, e o que ele chama de Wire, com looks mais ousados, punks e agressivos. Alguns garotos adotaram o Urahara look, abusando de acessórios e roupas esportivas, e tendo no som hardcore, na época em alta no Japão, seu estilo musical.
Uma curiosidade: muito antes do livro se tornar uma bíblia cult de moda e comportamento, as fotos publicadas foram feitas para um fanzine que levava o mesmo nome. O projeto do livro veio bem depois. Mas Fruits, o zine, continua firme e forte e é ele que os japoneses consultam para saber quais são as últimas tendências em moda, música e comportamento.




