04/04/2003 09h46 – Atualizado em 04/04/2003 09h46
RIO – Três ex-colaboradores do governo Anthony Garotinho vão participar de uma acareação nesta sexta-feira na CPI dos Fiscais, na Assembléia Legislativa: o ex-secretário de Fazenda Carlos Antonio Sasse, o ex-subsecretário de Administração Tributária Rodrigo Silveirinha Corrêa e o ex-subsecretário de Receita David Birman. Entre outros pontos que não ficaram esclarecidos nos depoimentos anteriores, os deputados querem apurar se Silveirinha confessou ou não para Birman possuir contas em bancos na Suíça. Sasse disse a repórteres que Birman lhe relatara ter ouvido a confissão de Silveirinha.
A contabilidade de parte do esquema montado na Secretaria estadual de Fazenda está registrada em anotações apreendidas ontem durante uma grande operação que fez o levantamento dos bens de 16 envolvidos no escândalo do Propinoduto. Na casa de Birman, atual chefe de informática do Detran, procuradores da República e agentes da Polícia Federal encontraram um caderno onde aparecem os nomes de vários fiscais donos de contas milionárias na Suíça. As anotações registram a divisão entre eles de dinheiro que pode ter sido obtido através da cobrança de propinas de empresas do estado.
A Polícia Federal desconfiava da existência das anotações quando deflagrou a operação para arrolar os bens dos acusados. O caderno foi anexado a um auto de apreensão da PF. Este e outros documentos apreendidos serão periciados. Os procuradores da República chegaram à casa de David Birman pouco depois das 13h. Eles permaneceram lá por quase duas horas e saíram deixando policiais federais trabalhando na apreensão dos documentos e no levantamento de bens. Os vizinhos estranharam a movimentação na casa, mas evitaram comentar sobre o ex-subsecretário.
A operação de levantamento dos bens de 16 acusados durou cerca de três horas. Equipes compostas por oficiais de Justiça e agentes federais percorreram mais de 20 endereços, no Rio e em Niterói, e listaram os bens valiosos encontrados: cofres, jóias, carros e até aparelhos eletrônicos.
A operação tem o objetivo de evitar que os acusados se desfaçam de seus bens, que foram declarados indisponíveis pela Justiça Federal. Nos dias 15 e 17 de janeiro, quando a Justiça já havia decretado o bloqueio, o fiscal Carlos Eduardo Pereira Ramos sacou R$ 968 mil de uma conta particular no BankBoston.
Além de Birman, foram alvo da operação cinco fiscais de renda e sete auditores da Receita Federal suspeitos de serem donos das contas milionárias na Suíça. Além deles, os agentes estiveram nos imóveis do ex-subsecretário especial de Fazenda Geraldo Moreira Barbosa e de seu filho, Diogo Barbosa.





