04/04/2003 09h58 – Atualizado em 04/04/2003 09h58
SÃO PAULO – O dólar comercial continua operando com leve valorização nesta manhã de sexta-feira, num comportamento atribuído a uma correção técnica, devido à seqüência de seis quedas consecutivas. Às 10h35m, a moeda americana subia 0,15%, cotada a R$ 3,255 na compra e R$ 3,260 na venda. Apesar da pressão, os operadores não descartam uma inversão de tendência, já que as bolsas internacionais têm fortes altas e o cenário interno permanece favorável.
A moeda americana vem de seis quedas consecutivas, indicando a iminência de uma correção técnica. Ontem a cotação de R$ 3,255 no fechamento foi a menor desde 17 de setembro do ano passado. Os bons resultados da balança comercial e das contas públicas, as captações externas e a queda do risco-país para menos de 1.000 pontos são alguns dos fatores que contribuem para a tranqüilidade do mercado.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os juros oscilam perto da estabilidade, com ligeira tendência de alta. Mesmo assim, se mantêm próximos da taxa Selic vigente, indicando que admitem a queda dos juros básicos no segundo semestre do ano.
RISCO – Os principais indicadores que medem a percepção de risco Brasil operam praticamente estáveis frente ao desempenho observado ontem. Segundo o Valor Online, o Embi + do país avança 0,11%, situando-se em 948 pontos.
O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, registra desvalorização de 0,03%, sendo negociado nos principais mercados internacionais a 82,38% de seu valor de face.
A queda do dólar para o nível inferior a R$ 3,30 trouxe as discussões em torno do preço de equilíbrio da moeda, que muitos consideram ser R$ 3,20. Ontem o dólar fechou em R$ 3,255 na ponta de venda, atingindo seu menor valor desde 17 de setembro. Os exportadores já começam a mostrar incômodo e alguns analistas já prevêem alguma atuação do Banco Central (BC) para frear uma queda desenfreada das cotações, que comprometa os superávits da balança comercial.
O economista Fernando Honorato Barbosa, do BBV, afirmou que o dólar atingiu o valor adequado nos últimos dias, ao fechar entre R$ 3,20 e R$ 3,30. Segundo ele, o valor adequado é aquele em que o real não se aprecie a ponto de exigir que o Banco Central intervenha no mercado comprando dólares, ou gere perda de reservas vendendo a moeda americana para fazer cair a cotação. Na avaliação do economista, para garantir o equilíbrio, o dólar deve chegar ao fim do ano cotado próximo a R$ 3,30, gerando saldo de US$ 14 bilhões na balança comercial.
- O Brasil vive uma nova realidade do fluxo de capitais, com a entrada de recursos na casa de US$ 30 bilhões e não de US$ 50 bilhões, como em 2001. Diante disso, é difícil saber se o dólar atingiu o ponto de equilíbrio, mas é certo que o valor está adequado. O dólar não pode subir tanto a ponto de pressionar a inflação para cima, nem cair a ponto de gerar perdas aos exportadores – afirmou Barbosa.






