04/04/2003 14h02 – Atualizado em 04/04/2003 14h02
O Brasil tem plenas condições de evitar uma epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave, a pneumonia atípica que está assustando o mundo.
Essa é a opinião de Ian Simpson, porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS), que comentou sobre o aparecimento do possível primeiro caso da doença no país – o da jornalista inglesa Sally Blower, que chegou no Brasil vinda da Malásia e está internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
Simpson elogiou como o caso de Blower foi conduzido e afirmou que, se as autoridades brasileiras adotarem a mesma postura daqui para frente, a doença não se espalhará no país como se espalhou na Ásia.
“O pânico atrapalha qualquer tentativa de controle de uma doença. Por isso, deve ser evitado. O Brasil tem condições de frear uma possível epidemia da doença. A jornalista encontra-se hoje em um dos melhores hospitais do país”, afirma Simpson.
Contágio
O porta-voz da OMS lembra que isolar as pessoas com suspeita de terem contraído o vírus é a melhor forma de conter o seu avanço.
“Até agora, só foi provado que a pneumonia se espalha por meio de contato direto e que, em 90% dos casos, a doença é tratável”, diz Simpson.
Para o especialista, quem apresentar sintomas de um simples resfriado não precisa achar que está com a síndrome. “A OMS está tentando frisar que os sintomas da pneumonia atípica são muito mais intensos do que o de um simples resfriado.”
Simpson reconhece que, como provavelmente é provocada por um vírus (o que ainda não foi confirmado), a síndrome não responde a tratamentos à base de medicamentos.
“Por isso é muito importante que o paciente seja internado, isolado, e tenha os sintomas da doença bem tratados. Às vezes, a pneumonia provoca infecções oportunistas, que devem ser tratadas com antibióticos. A febre alta também precisa ser monitorada”, diz Simpson.
Vítimas de doenças que debilitam o sistema imunológico, como diabetes, Aids e doenças do coração devem receber cuidados especiais.
“O importante é que o país tenha uma rede pública de saúde que funcione bem, para que os casos sejam notificados rapidamente. A OMS acredita que o Brasil tem esse perfil”, diz o porta-voz da organização.





