03/04/2003 17h06 – Atualizado em 03/04/2003 17h06
O dólar manteve o curso de baixa nesta quinta-feira e registrou o fechamento mais baixo desde setembro. A pressão de compra feita por investidores interessados na realização dos lucros conquistados na baixa dos últimos dias não bastou para vencer o otimismo. “O mercado esteve bastante volátil hoje, mas não fugiu da queda. Houve correções durante a sessão, devidos às sequências de queda, mas a tendência ainda é para baixo”, disse Hélio Osaki, analista de mercado da Corretora Finambrás.
O dólar comercial terminou cotado a R$ 3,25 para compra e R$ 3,255 para venda, uma queda de 0,24% em relação ao fechamento de ontem. Em cinco sessões, a moeda acumula queda de 3,87% e, neste ano, de 8,18%.
O receio de que a divisa caia ainda mais leva algumas tesourarias bancárias a vender dólares no mercado, para realizar lucros, contribuindo para o movimento de hoje.
Por alguns momentos, a moeda norte-americana chegou a operar em alta, impulsionado pela pressão de compra, após quatro pregões seguidos de baixa, até a véspera. Na máxima, o dólar foi cotado a R$ 3,272, com alta de 0,31%.
Mas prevaleceu o otimisto generalizado, que nesta quinta-feira recebeu o reforço da atuação oportuna do Banco Central, que rolou todos os US$ 921 milhões do vencimento de dívida atrelada ao câmbio do próximo dia 17, em duas operações durante o dia. Na mínima do dia, o dólar foi vendido a R$ 3,238, em queda de 0,74%.
Os investidores se mostraram animados com o sucesso do governo na aprovação da emenda que modifica o artigo 192 da Constituição e permite a regulamentação do sistema financeiro de forma fatiada, abrindo espaço para o projeto de autonomia do Banco Central.
O apoio obtido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara, com 442 votos favoráveis, permitia ao mercado apostar que as reformas previdenciária e tributária possam também ser aprovadas com tranquilidade no Congresso.
“A aprovação já era esperada e o mercado já vinha antecipando isto. O que eu acho que deve animar o pessoal agora é a idéia de que o governo irá aprovar tudo e mais um pouco daqui em diante”, avaliou José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Novação Corretora.
Outro fator que também contribuiu para a queda da moeda estrangeira durante a manhã era a notícia, divulgada ao fim dos negócios da quarta-feira, de mais uma captação externa no valor de US$ 200 milhões, fechada pelo Banco Votorantim.
ROLAGEM DE CAMBIAIS
O Banco Central aproveitou a euforia do mercado e garantiu nesta quinta-feira, com duas semanas de antecedência, a rolagem total da dívida cambial de US$ 921 milhões que vence no próximo dia 17.





