01/04/2003 08h50 – Atualizado em 01/04/2003 08h50
O Hospital Evangélico de Dourados continua sem receber a dívida da prefeitura. Nem mesmo o protesto de funcionários, realizado ontem de manhã, conseguiu uma solução imediata para o problema. Eles denunciam que podem ficar sem receber salários em abril devido à crise. O atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) continua sob ameaça de suspensão. Durante a manifestação dos funcionários do HE, ficou decidido que será formada uma comissão – composta por representantes da prefeitura, do hospital, dos funcionários, da Câmara e por deputados – que terá a missão de viabilizar, em uma semana, R$ 200 mil para socorrer o Evangélico. Médicos que trabalham no hospital afirmam que o HE não pode esperar todo esse tempo e que o atendimento pode ser suspenso antes (leia matéria nesta página). A comissão deve reivindicar o apoio dos governos do Estado e governo federal. Essa articulação envolverá a bancada federal de Mato Grosso do Sul. Pela manhã, funcionários, médicos, representantes da comunidade e alguns políticos lideraram uma manifestação que começou em frente ao Hospital Evangélico. O objetivo foi reivindicar pagamento da dívida que a prefeitura teria com hospital. O HE alega não ter mais como manter o atendimento se não receber os atrasados. O Evangélico é credenciado pela prefeitura para atender a comunidade através do SUS. A dívida é referente às AIHs (Autorização de Internação Hospitalar) que estariam atrasadas. AIH é o documento que serve para comprovar o atendimento prestado pelo hospital. Segundo o Evangélico, a dívida é de R$ 3 milhões. A prefeitura alega que deve somente R$ 1,5 milhão. Remédios Médicos e funcionários denunciam que já estão faltando medicamentos. O pagamento de salários de médicos plantonistas e dos funcionários pode começar atrasar a partir deste mês. Depois da concentração em frente ao HE, os manifestantes, carregando faixas e cartazes e usando luto – numa alusão à morte da saúde – seguiram para frente da prefeitura. Lá eles exigiram uma reunião com o prefeito Laerte Tetila. A Polícia Militar e a Guarda Municipal reforçaram a segurança no prédio, já que os manifestantes, em determinado momento, ameaçaram invadir a prefeitura. Após a ameaça, Tetila e o secretário de Saúde, Takeshi Matsubara, receberam uma comissão de manifestantes. Como medida emergencial, a prefeitura e o governo do Estado deverão repassar ao HE cerca de R$ 200 mil. Cada instituição pagará R$ 100 mil. Quanto ao restante da dívida, a proposta foi dividir em parcelas de R$ 150 mil mensais que seriam pagas pelo governo do Estado e prefeitura. Segundo Matsubara, a prefeitura repassa uma média de R$ 700 mil mensais ao HE. Mas o hospital quer receber as AIHs que estão atrasadas. Argumento “O Hospital Evangélico é um patrimônio e uma referência regional e precisa do apoio de todas as forças políticas e de toda a sociedade douradense para o enfrentamento da grave crise pela qual passa”, disse o secretário municipal de Governo, Wilson Biasotto, ressaltando que a prefeitura vem repassando, rigorosamente, todos os recursos previstos e que o município não tem caixa para socorrer o hospital neste momento.




