01/04/2003 14h48 – Atualizado em 01/04/2003 14h48
O secretário municipal de Governo, Carlos Henrique dos Santos Pereira, estima que em 5 anos, a cooperativa que reunirá os catadores do lixão, na saída para Sidrolândia, não será mais “necessária”. “Com o sistema de coleta seletiva do lixo funcionando, e após capacitação, esperamos que os catadores sejam incorporados ao mercado de trabalho”, explicou Pereira. O que o secretário acredita ser possível, na prática, por enquanto, não tem sido fácil para quem sustenta a família com a renda obtida no lixão, após não conseguir emprego. “Gostaria muito de ter outra opção de trabalho. Isso aqui não é vida”, afirma Maria Barbosa dos Santos, de 43 anos, que mora no bairro Dom Antonio e há um ano e meio trabalha no local, de segunda-feira a sábado, das 6h30 às 17h30. Maria, que já foi empregada doméstica, diz que ficou “desanimada” com o mercado e não hesitou em ir para o lixão. “Quando cheguei, conseguia ganhar até R$ 260 por mês. Agora, há mais catadores no centro da cidade e, como diminuiu o material que é despejado aqui, quando ganho R$ 200 já fico feliz”, conta a catadora, que sustenta um filho de 6 anos e o marido, deficiente mental, e não recebe qualquer benefício do governo.
Esta é a mesma situação de Maria Benício Rodrigues, 43 anos, que há 3 trabalha no lixão. “Trazemos almoço e água e ficamos aqui o dia todo. Sabe que nem percebemos o mau-cheiro?”, diz. Maria Benício sustenta dois filhos, de 5 e 8 anos, com os cerca de R$ 100 que recebe mensalmente no lixão. “Como preciso sair mais cedo, para pegar meu filho na creche, acabo perdendo a leva da tarde”, afirma, se referindo ao caminhão que despeja o lixo no local. Ambas esperam que a situação dos trabalhadores melhore com a implantação da usina. “Se for como o secretário falou, será bom para nós”, torce Maria.






