31/03/2003 13h54 – Atualizado em 31/03/2003 13h54
Enquanto 1.143 famílias moradoras do assentamento Itamarati comemoravam o início da produção de soja e milho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, centenas de famílias de sem-terra aguardam terra em acampamentos localizados próximos à fazenda. Elas estão distribuídas em três acampamentos. O maior deles é o do MST, como 480 famílias, o mais próximo da sede do assentamento. As famílias não puderam ver o presidente. O Acesso ao palco onde Lula discursou só foi permitido às autoridades, imprensa e moradores do assentamento. Márcio Bissoli, do MST, disse que apesar de o governo não ter feito nenhum assentamento no Estado este ano, o movimento continua paciente. “Sabemos que o governo tem boa vontade e sabemos também dos problemas que o Brasil enfrenta. O orçamento do Incra para este ano foi feito pelo governo passado e foi reduzido pela metade. Sabemos que os investimentos vão ter que ser feito por etapas”, alega o dirigente. Segundo Bissoli, em Mato Grosso do Sul existem quase cinco mil famílias esperando assentamento. Disse ainda que o MST já indicou 20 fazendas para que o Incra faça vistoria. Essas fazendas estariam localizadas em regiões estratégicas, próximas a outros assentamentos. “Os assentamentos feitos em blocos facilitam a comercialização e garantem melhor qualidade de vida às famílias devido a uma melhor infra-estrutura que já existem nestes locais”, revela o líder. “No Mato Grosso do Sul o problema é a falta de técnicos. É isso que atrasa a liberação dos recursos”, disse Bissoli, sábado ao Diário MS. Segundo ele, no Estado o Banco do Brasil não atrasa a liberação, desde que os projetos sejam entregues no prazo. Na sexta-feira, na fazenda Itamarati, o presidente Lula havia dito que o Banco do Brasil não iria mais atrasar a liberação de recurso para custeio da agricultura. Bissoli disse que em função do atraso nos projetos, no ano passado foi até devolvido dinheiro que havia sido destinado para custeio agrícola. Para este ano, o presidente prometeu liberar R$ 15 milhões para o custeio da safra. O líder do MST revela que o Idaterra tem poucos técnicos para elaborar os projetos das pequenas propriedades. “Achamos que o governo do Estado precisa investir mais na contratação de técnicos. Isso resultará numa assistência melhor”, menciona. (D.A).





