31/03/2003 17h05 – Atualizado em 31/03/2003 17h05
Dezenas de voluntários deixaram hoje Beirute para pegar em armas no Iraque, prometendo lutar até a morte para expulsar as forças norte-americanas e britânicas da terra árabe, disseram testemunhas.
Os combatentes, a maioria jovens libaneses, se disseram motivados pelas dramáticas imagens dos ataques contra civis iraquianos nos últimos dias. Eles viajam de ônibus, através da Síria, segundo as fontes.
“Vamos combater os norte-americanos, os britânicos e os sionistas judeus que querem tomar nossa terra [terra árabe e muçulmana]”, disse o comerciante Nourredine Al Sayyed, 24.
“Isso não será tolerado, exceto sobre nossos cadáveres”, prosseguiu. “Vamos lá para morrer. Sabemos que não voltaremos”, disse Sayyed, que tem três filhos.
Os Estados Unidos já advertiram a Síria, que exerce grande influência político-militar sobre o Líbano, que não interfira no conflito no vizinho Iraque.
Bagdá disse no domingo que já há no Iraque mais de 4.000 árabes dispostos ao “martírio”. O grupo palestino Jihad Islâmica, que tem sede em Damasco, já anunciou o envio de militantes suicidas a Bagdá.
Usando uma bandana com a frase “estamos chegando, Deus é grande”, Zafer Al Rafai, que também embarcou hoje, disse que seus pais não estão sabendo de sua viagem. “Quando eu chegar lá vou pegar uma arma e lutar direto. Não vamos brincar”, disse Zafer, um trabalhador braçal.
A embaixada iraquiana em Beirute confirmou hoje a partida de 50 voluntários. “Eles não pertencem a qualquer grupo político”, disse uma fonte diplomática no local. “É seu sentimento nacionalista que os leva ao Iraque. É nosso dever conceder vistos a eles”.
No grupo que partiu de Beirute há libaneses, palestinos e egípcios de todas as classes sociais, inclusive alguns muito religiosos, com longas barbas.




