28/03/2003 13h52 – Atualizado em 28/03/2003 13h52
BAGDÁ – Aviões dos EUA lançaram duas enormes bombas “destruidoras de bunker” no centro de Bagdá para destruir centros de comando e comunicação na madrugada desta sexta-feira – dia santo para o islamismo. O bombardeio foi o mais intenso desde a última sexta-feira, em que a capital do Iraque experimentou o “choque e pavor” do maior ataque aéreo já realizado pelos EUA contra um inimigo. Esta seria a primeira vez em que este tipo de bomba teria sido usada na guerra.
Prédios no coração da cidade foram violentamente sacudidos. Mas em contraste com outros dias, as forças iraquianas responderam com quase nenhuma artilharia antiaérea ou mísseis terra-ar. O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf disse que os ataques mataram sete civis e feriram 92.
As bombas devastaram vários prédios do governo. As duas “destruidoras de bunker”, guiadas por satélite, pesavam cerca de duas toneladas. Elas atingiram o prédio de telecomunicações localizado na margem leste do rio Tigre, no centro da capital. A TV iraquiana chegou a sair do ar por algumas horas. Segundo o Comando Central dos EUA, as bombas foram lançadas de bombardeiros B-2 stealth (invisível aos radares). O Centro de Comunicação Internacional do Iraque, que opera o sistema de telefonia do país, ficou em chamas após o ataque. Prédios próximos ao Ministério da Informação também pareciam ter sido atingidos, assim como palácio presidencial Al-Salam.
Outra explosão ocorreu perto do Ministério da Informação, provocando pânico e correria entre jornalistas e levando iraquianos a responderem, do teto de prédios, com disparos de armas antiaéreas. Nas mesquitas, os muezzin (líderes religiosos que convocam diariamente para as rezas), gritavam, nos alto-falantes dos minaretes: “Allah u akbar!” (Deus é grande).
Na guerra terrestre, um oficial dos EUA disse que as forças americanas lutaram contra cerca de 1.500 iraquianos na madrugada perto da cidade sagrada de Najaf, 160 quilômetros ao sul da capital, mas não havia informação sobre mortes. O correspondente da agência de notícias Reuters Luke Baker, que está perto de Najaf, disse que as forças americanas usaram tanques e artilharia pesada.






