28/03/2003 14h15 – Atualizado em 28/03/2003 14h15
Centenas de acampados da região do assentamento Itamarati se apertaram entre as milhares de pessoas que foram ver o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e esperavam falar com o presidente. Eles queriam pedir o acesso à terra.
Foi a esperança de ter alguma notícia sobre novos assentamentos que motivou o sem-terra João Ribeiro, acampado há um ano no acampamento Nova Conquista, a ir até o assentamento. Ele contou que mora com a mulher e seis filhos em um barraco. O acampado se disse esperançoso em relação ao governo Lula. “Caminhei três quilômetros para poder votar nele”, disse, mostrando confiança de que o presidente resolverá a questão agrária.
Outra acampada que foi à solenidade é a Paraguaia Viviana Espíndola, de 58 anos. Ela contou que há 40 anos mora no Brasil e está há 1 ano e 6 meses com o marido e quatro filhos no acampamento Don Aquino. A família vive de empregos temporários do marido e da doação de cestas básicas.
Três índios das aldeias Jaguapiru e Bororo colocaram vestimentas típicas, se pintaram e fizeram uma apresentação em meio aos presentes antes da chegada do presidente ao local da solenidade, em frente à escola do assentamento. Eles queriam chamar a atenção para a falta de condições em que vivem. Alertaram que são cerca de 9 mil índios em uma área de sete mil hectares. “Estamos crescendo e nos espremendo”, disse Ricardo Arce Isnard. “Estamos sufocados”.
O presidente teve contato com as pessoas através de cumprimentos, abraços e homenagens do governo e prefeitura de Ponta Porá, que presentearam Lula com produtos agrícolas e típicos. Ele não recebeu reivindicação ou manifestações.




