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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Bush: Guerra durará o tempo necessário para derrubar Saddam

27/03/2003 15h37 – Atualizado em 27/03/2003 15h37

CAMP DAVID, EUA (CNN) — Reunido em Camp David com seu maior aliado – o primeiro-ministro britânico, Tony Blair -, o presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou nesta quinta-feira que a guerra contra o Iraque “levará o tempo que for necessário” para derrubar Saddam Hussein.

Bush e Blair rejeitaram qualquer tentativa de colocar um prazo para o fim do conflito, no qual, segundo alegaram, a coalizão anglo-americana vem registrando “progresso contínuo”.

“Não se trata de uma questão de tempo; é uma questão de vitória”, disse Bush.

Blair, que chegou na quarta-feira à residência de campo da presidência dos Estados Unidos nas montanhas de Maryland, endossou a declaração do colega norte-americano.

“Não existe, na minha opinião, nenhum sentido em tentar impor um limite de tempo ou especular sobre isso”, afirmou. “Não é determinado pelo tempo, mas pela natureza do trabalho”.

Blair e Bush também exortaram as Nações Unidas a reiniciar imediatamente o programa petróleo-por-comida no Iraque, pelo qual o país do Golfo Pérsico pode vender uma quantidade limitada de petróleo e usar a receita na compra de suprimentos básicos para a população civil.

Os dois líderes manifestaram, ainda, seu compromisso com a reconstrução do Iraque pós-guerra, mas não explicaram como pretendem fazê-lo.

Blair apenas reiterou sua posição, já publicamente conhecida, de que a ONU tenha um papel fundamental no Iraque após a eventual queda do presidente Saddam Hussein.

Em outras ocasiões, longe da presença de Bush, o premier britânico falou claramente em uma administração provisória no Iraque, chefiada pela ONU. O presidente norte-americano, ao mesmo tempo, reiteradamente defendia que a coalizão assumisse a liderança do país.

Nesta quinta-feira, Blair revelou que a coalizão recorrerá a “novas resoluções do Conselho de Segurança da ONU para afirmar a integridade territorial do Iraque”, bem como detalhar a assistência humanitária e “uma administração pós-conflito”.

Aos jornalistas presentes em Camp David, Blair declarou que o presidente norte-americano concordava com esta posição. Mas Bush, ao seu lado, não fez uma única referência específica ao papel administrativo da ONU.

Fontes da Casa Branca contaram haver uma divergência clara dentro do governo norte-americano – notavelmente entre o Pentágono e o Departamento de Estado – sobre a amplitude do trabalho que a ONU deverá realizar em qualquer esforço de reconstrução no Iraque.

Depois de contrariar o Conselho de Segurança da ONU e partir para a guerra junto com os Estados Unidos, Blair parece ter optado, agora, por um tom conciliatório com a organização mundial.

“Não há qualquer dúvida de que as Nações Unidas precisam ser envolvidas estreitamente neste processo”, disse.

De sua parte, Bush referiu-se à ONU apenas para falar sobre o programa petróleo-por-comida.

“Mais da metade da população iraquiana depende deste programa como fonte única de alimento”, sustentou.

Troca de elogios

No tocante à campanha militar no Iraque, Blair e Bush não pouparam elogios mútuos e, mais, garantiram que a coalizão triunfará.

“A campanha à frente exigirá mais coragem e mais sacrifício, mas sabemos qual será o resultado”, disse Bush. “O Iraque será desarmado, o regime iraquiano terminará e o povo do Iraque, que há tanto sofre, será libertado”.

Bush minimizou os comentários de que a guerra conta com muito pouco apoio global.

“Temos uma grande coalizão”, defendeu. “A coalizão que reunimos hoje é maior do que a de 1991 (na Guerra do Golfo), em termos de número de países que participam”.

“As forças de coalizão estão avançando dia a dia, em um avanço contínuo. É um avanço lento, mas certo”, acrescentou.

Um jornalista perguntou a Bush se a coalizão poderia usar armas nucleares contra o Iraque. O presidente norte-americano esquivou-se.

“Saddam Hussein tem um regime brutal”, respondeu. “Soldados norte-americanos foram executados no Iraque”.

Em seu pronunciamento, Blair reconheceu haver um racha na Europa. “Não há como esconder isso; existe uma divisão”, disse, sugerindo que algumas relações bilaterais terão que ser reparadas após o fim da guerra.

“Em algum momento, teremos que discutir como surgiu essa divergência”, concluiu.

Em sua explanação à imprensa, Blair e Bush revelaram que também discutiram soluções para o longo conflito entre palestinos e israelenses.

Bush previu uma nova era para todo o Oriente Médio, não apenas com a “libertação” do Iraque, mas também com “Israel e Palestina vivendo juntos, lado a lado, em paz e em segurança”.

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