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terça-feira, 9 de junho de 2026

Dona de casa morre de leishmaniose

26/03/2003 08h11 – Atualizado em 26/03/2003 08h11

SAÚDE – Aparecida Delia da Cruz morreu sexta-feira, no Bairro Nova Aquidauana, uma das áreas de risco da doença, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A dona de casa Aparecida Delia da Cruz, 45 anos, morreu na última sexta-feira vítima de leishmaniose visceral. A mulher, que morava no Bairro Nova Aquidauana, estava fazendo tratamento médico desde o final do ano passado, mas somente na quinta-feira teve a confirmação laboratorial de que o problema era a doença. No mesmo dia ela foi encaminhada para a Santa Casa em Campo Grande, mas não resistiu e morreu um dia após o internamento.

Os familiares da vítima estão inconformados porque ela havia procurado recursos médicos desde o mês de outubro de 2002 e somente um dia antes de morrer é que constataram a presença da leishmaniose. “Os medicamentos que ela estava tomando eram para anemia e pedra na vesícula”, relatou o ex-marido Daniel Cozer, ao mostrar a certidão de óbito que confirmou a causa da morte.

De acordo com a certidão, Aparecida foi vítima de síndrome de disfunção de múltiplos órgãos, choque séptico, insuficiência adrenal aguda e leishmaniose visceral. Parentes afirmaram que em fevereiro a dona de casa já havia sido internada.

Adriana Patrício da Cruz, vizinha e comadre da vítima, disse que estranhou os médicos não terem iniciado o tratamento para combater a doença bem antes, sendo que a região em que moram é considerada endêmica. “Meus três filhos já foram acometidos daquela leishmaniose com ferida (tegumentar), mas foram curados”, frisou.

Áreas de risco

Ontem, o coordenador municipal de controle de vetores de Aquidauana, Francisco Portes, confirmou que o Bairro Nova Aquidauana realmente é considerado endêmico e está na região de áreas de risco. Além daquele bairro, Francisco Portes informou que os bairros São Francisco, Jardim Aeroporto e Santa Terezinha estão na área de risco.

Porém, mesmo com o óbito registrado na sexta-feira, ele garante que a situação está controlada. “No ano passado, somente no Bairro Serraria constatamos mais de 100 cães positivos. Hoje, em todos os bairros temos apenas dois cachorros positivos. Um no centro e outro no Nova Aquidauana”, explicou. Ele informou que no distrito de Taunay, aldeia indígena a 55 quilômetros de Aquidauana, foram identificados três cães contaminados.

Neste ano, a coordenadoria já eliminou 24 cães positivos. 238 animais suspeitos aguardam resultados laboratoriais para também serem eliminados.

Francisco Portes disse ainda que uma equipe da Funasa encontrou um mosquito flebótomo (transmissor da leishmaniose) na residência em que a vítima morava. “Nós fizemos todo o trabalho que devia na casa da mulher. Agora estamos concentrados na região”. Segundo ele, em toda a cidade só existe um caso de leishmaniose tegumentar (doença que faz ferida por todo o corpo). O caso foi constatado numa pessoa que reside na Vila Cidade Nova, que já está recebendo o tratamento. A suspeita havia sido levantada há cerca de 20 dias, porém somente ontem o resultado do exame de sorologia, oriundo do Lacen de Campo Grande, chegou a Aquidauana.

O coordenador explicou que nos bairros endêmicos está sendo feito monitoramento constante e a cada seis meses é realizada uma intervenção química.

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