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terça-feira, 9 de junho de 2026

Mundo Árabe pede cessar-fogo imediato no Iraque

25/03/2003 15h22 – Atualizado em 25/03/2003 15h22

Representantes da Liga Árabe, reunidos no Cairo, solicitaram a “retirada imediata e incondicional” das tropas americanas e britânicas do Iraque.

Ministros do Exterior dos países árabes aprovaram um documento definindo a guerra no Iraque como “uma violação do Estatuto da ONU” e “uma ameaça à paz mundial”. De acordo com o documento, nenhum país árabe deve participar da ação militar no Iraque.

A resolução – que não contou com a aprovação do Kuwait e da Jordânia, que não mandou representante para o encontro – diz ainda que as Nações Unidas devem assumir suas responsabilidades e tentar interromper o que os líderes classificaram de agressão americana.

O ministro de Relações Exteriores do Catar abandonou o encontro dizendo que esperava discussões mais práticas e não o mesmo discurso árabe de sempre.

Solidariedade

Apesar das críticas, o Catar – que serve de base para tropas americanas envolvidas na guerra manteve um representante na reunião que aprovou a resolução.

“Como o Catar pode aprovar uma resolução que diz que nenhum país árabe pode participar da guerra? Isso é pura hipocrisia para acalmar o povo”, disse um comentarista egípcio presente à reunião e que pediu para não ser identificado.

Para o ministro de Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri, a aprovação da resolução foi uma mostra da solidariedade dos líderes árabes com o povo iraquiano.

Sabri se disse satisfeito com o resultado do encontro, mas não deixou de fazer críticas à participação do Kuwait.

“O resultado foi unânime, com exceção do Kuwait, que participa da agressão. Mais uma vez, o Kuwait foi contra o desejo do povo árabe”, disse o ministro iraquiano.

Para o cientista político Mostafa Elwi, da Universidade do Cairo, os países da Liga sabem que seus apelos não terão impacto sobre as decisões militares americanas.

“Eles sabem que, se os Estados Unidos não ouviram a ONU, não vão ouvir a Liga Árabe. A grande preocupação é com o efeito disso sobre o povo”, disse Elwi.

Protestos

Os ânimos entre boa parte da população no mundo árabe, principalmente entre os jovens, estão cada vez mais acirrados.

No mesmo dia da reunião da Liga Árabe, por exemplo, estudantes egípcios fizeram um protesto que reuniu cerca de 20 mil estudantes nas duas principais universidades da cidade.

“Não vamos parar de protestar até que nossa voz seja ouvida. É frustrante ver que os governos árabes não nos escutam e continuam a apoiar os Estados Unidos”, disse Abdul Fayed, estudante de engenharia, de 22 anos.

“Queremos que o governo egípcio pressione os governos que estão colaborando com os Estados Unidos para que eles expulsem as tropas americanas de seus territórios”, disse o estudante.

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