25/03/2003 16h52 – Atualizado em 25/03/2003 16h52
WASHINGTON (CNN) — Ao fazer, nesta terça-feira, um balanço da guerra contra o Iraque, o secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, afirmou que soldados de Saddam Hussein vêm desertando em grupos de “centenas”, à medida que as forças da coalizão aproximam-se de Bagdad.
Rumsfeld também estimou em pelo menos 3.500 o número de prisioneiros de guerra sob poder das tropas norte-americanas e britânicas desde o começo do conflito, na quarta-feira à noite.
Outros milhares de soldados, segundo o secretário, faziam parte de unidades do Exército iraquiano que já se desmantelaram.
As forças dos Estados Unidos estão chegando perto de Bagdad e “eliminando sistematicamente” as instituições que sustentam o regime de Saddam Hussein, disse Rumsfeld.
“A cada dia que passa, o regime iraquiano perde o controle de mais partes do país”, acrescentou.
Por outro lado, assim como o presidente George W. Bush fez em seu programa semanal de rádio, no último sábado, o secretário de Defesa também alertou os norte-americanos a não pecar pelo excesso de confiança.
“Estamos muito mais próximos do começo do que do fim”, disse Rumsfeld, advertindo que não há um prazo para a queda de Bagdad e tampouco para o término do conflito.
Ninguém deu a “impressão de que tudo estaria acabado cinco minutos”, ressaltou.
Rumsfeld também procurou preparar o ânimos dos norte-americanos para iminentes “batalhas brutais”.
“Nos próximos dias e semanas, à medida que as forças da coalizão aproximam-se de Bagdad e o regime se depara com sua morte certa, esta campanha ficará cada vez mais perigosa”, avisou. “Mas o resultado está garantido”.
Nesta terça-feira, em meio a fortes tempestades de areia, as forças da coalizão avançaram em direção ao que deverá ser o maior desafio desta guerra: o confronto com a Guarda Republicana, a tropa de elite de Saddam Hussein, que protege Bagdad.
Dois batalhões que escoltam a Terceira Divisão de Infantaria do Exército norte-americano atravessaram o rio Eufrates e chegaram a Karbala, a cerca de 90 quilômetros ao sul da capital iraquiana.
Paralelamente ao avanço por terra, a coalizão lançou um bombardeio aéreo contra posições da Guarda Republicana.
Segundo o Comando Central das Forças Armadas norte-americanas, o Iraque seria alvejado por 1.400 ataques aéreos no espaço de 24 horas, a maioria direcionada contra a tropa de elite.
Rumsfeld conclamou os civis iraquianos a se levantar contra o regime de Saddam. “É claro que eles são oprimidos”, disse.
O chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas norte-americanas, Richard Myers, também presente à explanação no Pentágono, avaliou os progressos da coalizão em cinco dias de combates.
Segundo Myers, norte-americanos e britânicos avançaram mais de 350 quilômetros por terra no Iraque e realizaram cerca de 1.000 incursões aéreas. Metade dos bombardeios dos últimos dias visaram a Guarda Republicana, a tropa de elite de Saddam Hussein.
“Acho que nosso plano é brilhante”, arrematou.
O pior está por vir
Mais cedo, Myers afirmou que o plano geral de guerra vem sendo cumprido, em grande parte, conforme o previsto, mas salientou que a pior parte do conflito ainda está por vir.
Em entrevista à rede ABC, Myers avaliou que a primeira parte da guerra transcorre rapidamente, mas a “resistência na próxima fase, enquanto nos aproximamos de Bagdad, será cada vez maior”.
Myers destacou a tática de Saddam Hussein de concentrar a Guarda Republicana ao torno da capital.
“Eles são mais bem treinados, mais bem equipados e, aparentemente, mais leais ao regime”, disse o general. “Por isso, achamos que o pior dos combates ainda nos espera”.
“Sempre soubemos disso e estamos nos preparando”, acrescentou.





