21/03/2003 13h40 – Atualizado em 21/03/2003 13h40
BAGDÁ – Os Estados Unidos e as forças de sua coalizão avançam rapidamente pelo deserto do Iraque nesta sexta-feira, capturando pontos-chave do sul do país no segundo dia da guerra batizada pela Casa Branca de “Operação Liberdade do Iraque”. Um enorme comboio de veículos blindados Bradley e tanques militares do tipo M1A1 Abrams, do 3º Esquadrão do Sétimo Regimento da Cavalaria do Exército americano, avança rumo a Bagdá. De acordo com estimativas, eles deverão chegar por terra a Bagdá em três ou quatro dias. Forças americanas já teriam aberto também uma frente de ataque no norte, segundo a emissora CNN. Os alvos do avanço não foram revelados.
Uma bandeira americana já tremulava na cidade sulista de Umm Qasr desde a manhã desta sexta-feira, mas apenas no começo da noite (horário local) cerca de 15 mil soldados britânicos e americanos consolidaram o controle do local. A cidade é considerada estratégica para a economia iraquiana por ser a única saída portuária do país para o Golfo Pérsico. É importante também por estar ao sul de Basra. É de Umm Qasr que deve partir a investida rumo a Basra – vital para a economia iraquiana e estratégica para os aliados por controlar os terminais de petróleo do sul do país.
Embora não tenham encontrado forte resistência na maior parte do avanço terrestre, fuzileiros navais americanos se surpreenderam com fogo inimigo em Umm Qasr. Apesar da troca de tiros, Umm Qasr foi palco da maior rendição de forças iraquianas até agora: cerca de 250 militares do Exército de Saddam se entregaram a fuzileiros navais americanos e cerca de 30 para as forças britânicas.
Após um ataque por céu e terra coordenado pelo 40º Comando de Fuzileiros Navais da Marinha Real, soldados britânicos assumiram o controle da Península de Faw, na costa do Golfo Pérsico. Também nesta sexta-feira, tropas britânicas e americanas capturaram dois aeroportos no oeste do Iraque, intitulados H-2 e H-3. O H-3 é considerado pelo serviço secreto americano um local potencial de armazenamento de armas não-convencionais.
Um fuzileiro naval americano foi morto em ação nesta sexta-feira no sul do Iraque, tornando-se a primeira baixa aliada na guerra. As autoridades afirmaram apenas que o soldado era membro da 1ª Força Expedicionária dos Fuzileiros Navais – uma das primeiras unidades aliadas a entrar no Iraque por terra. Ele foi morto com um tiro no estômago, disparado por forças inimigas.
Momentos depois de confirmada a morte, a Casa Branca voltou a advertir os americanos para os riscos da guerra, que segundo o governo poderia ser “longa e perigosa”. O porta-voz Ari Fleischer disse que havia “muitos riscos à frente” para as tropas aliadas. Na noite de quinta-feira, oito soldados britânicos e quatro americanos morreram na queda de um helicóptero no Kuwait.
- Acho importante os americanos lembrarem que este pode ser um embate longo, comprido e perigoso – disse Fleischer. – Esta é, como o presidente disse, a fase inicial. Não importa como esteja sendo tratado: isto é real, isto é guerra, isto é perigoso e há muitos riscos à frente.
O correspodente da agência de notícias Reuters Andrew Grav disse que forças do Iraque barraram nesta sexta-feira o avanço de tropas dos EUA perto da cidade de Nassiriya, às margens do rio Eufrates. Nassiriya é o principal ponto de passagem sobre o rio Eufrates e fica a cerca de 375 quilômetro ao sul de Bagdá.
Graw viaja junto com soldados da 3ª Divisão de Infantaria dos EUA e disse ter visto tropas americanas serem atacadas por tiros iraquianos e revidarem disparando dois foguetes.






