20/03/2003 07h41 – Atualizado em 20/03/2003 07h41
Helio de Freitas Sem apoio da maioria dos vereadores de Dourados, a oposição ao prefeito Laerte Tetila (PT) teve de “sepultar” a campanha em prol de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a desapropriação de 60 lotes feita pela prefeitura no Jardim Guaicurus, em julho do ano passado. A última tentativa ocorreu na segunda-feira passada, em reunião na Câmara. Os vereadores da bancada do prefeito e outros considerados aliados, embora sejam filiados a partidos de oposição, se recusaram mais uma vez a assinar o requerimento pedindo a CPI. Eles alegam que os documentos apresentados pelos opositores são inconsistentes. Na terça-feira à noite, durante a sessão da Câmara, o vereador Paulo Falcão (PSDB) deu a palavra final: “A CPI não será criada por falta de apoio dos aliados do prefeito”. O requerimento da CPI já estava pronto e com a assinatura de quatro vereadores: Falcão, Eduardo Marcondes (PMDB), Bela Barros (PSDB) e Nelso Gabiatti (PFL). No entanto, o Regimento Interno da Câmara exige no mínimo seis assinaturas para instalar uma comissão de investigação. Fato determinado Ontem à tarde, Falcão disse que a Câmara perdeu a chance de exercer sua prerrogativa de investigar os atos do Poder Executivo. “Existe, sim, fato determinado para a criação de uma CPI. Só o barulho que vem das ruas sobre o caso e as suspeitas levantadas pela imprensa seriam motivos suficientes para se iniciar uma investigação”, declarou. Segundo ele, a prefeitura não queria a CPI e acusa os aliados do prefeito de se submeterem a pressões do Executivo para não assinar o requerimento. “Acho que houve interesses político-partidários e questões pessoais por traz disso”, reclamou Paulo Falcão. “Pessoalmente, acredito que houve superfaturamento na desapropriação dos lotes do Jardim Guaicurus. Pode haver mais coisa por traz dessa história, muito além dos fatos que são de nosso conhecimento. Há uma suspeita muito forte do envolvimento de pessoas da prefeitura, inclusive de gente muito próxima ao gabinete do prefeito”, declarou o vereador. Com o fracasso da CPI, Falcão disse que ele e os outros três vereadores que defendem a investigação usarão outros meios para investigar o caso. “Vamos encaminhar requerimentos à prefeitura e usar outras formas para se obter as informações que só a CPI teria condição de apurar com rigor e agilidade”, disse Paulo Falcão. O vereador disse que o grupo a favor da investigação vai auxiliar a investigação do MPE (Ministério Público Estadual). “Acreditamos na isenção do Ministério Público, mas não podemos esquecer que o órgão está sobrecarregado”, disse ele. Falcão e Eduardo Marcondes disseram “estranhar” a posição da prefeitura contra a CPI. Segundo eles, caso não houvesse irregularidade, a prefeitura deveria incentivar a investigação.





