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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Começa a guerra para destituir Saddam Hussein e desarmar o Iraque

20/03/2003 07h50 – Atualizado em 20/03/2003 07h50

BAGDÁ, WASHINGTON e CIDADE DO KUWAIT – Às 5h15m da madrugada desta quinta-feira (23h15m em Brasília), os Estados Unidos e seus aliados despejaram as primeiras saraivadas de bombas sobre o Iraque de Saddam Hussein, dando início à maior aventura militar americana desde a Guerra do Golfo, em 1991, e cumprindo a promessa de usar a força para tentar destituir o ditador e eliminar seu suposto arsenal de armas não-convencionais. A guerra começou com um ataque com mísseis Tomahawk e caças F-117A, cujo alvo principal seria o próprio presidente iraquiano. Saddam apareceu três horas depois em um pronunciamento veiculado pela emissora estatal de TV, mas não está claro se o dircurso foi gravado e quando.

Os ataques aéreos contra o Iraque na quinta-feira tinham como objetivo centros de comando e de controle e, se tiverem sucesso, podem mudar a natureza da guerra, disse um porta-voz das forças americanas. A ação ganhou o nome de document.write Chr(39)operação de decapitaçãodocument.write Chr(39), como explicou um militar americano:

  • Estes ataques são uma operação de decapitação de centros de controle e comando. Se forem bem-sucedidos, mudarão radicalmente a maneira como fazemos as coisas – disse o coronel do Corpo de Fuzileiros Navais Chris Hughes, que está no Kuwait.

Guerra santa – Pouco depois das 8h30m (2h30m em Brasília), Saddam Hussein apareceu na TV. A menção à data, 20 de março, seria um dos sinais de que o discurso, se gravado, foi escrito depois da primeira onda de bombardeios. Também não se acredita que a imagem fosse de um dos muitos sósias do presidente iraquiano, porque a voz carrega o tom peculiar de Saddam.

  • O criminoso pequeno Bush cometeu um crime contra a humanidade – disse Saddam, vestindo uniforme militar e usando óculos, o que ele não gosta de fazer e que pode indicar a urgência com que se gravou o discurso.

As explosões e a artilharia antiaérea vêm sendo ouvidas desde então em várias levas em Bagdá. Quatro barcos e dois submarinos americanos dispararam mísseis contra Bagdá nas primeiras horas do ataque e a operação continua, segundo a Marinha. Várias aeronaves de combate deixaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln na manhã desta quinta-feira, mas não está certo se rumavam para Bagdá.

Alertando para a possibilidade de que esta seja uma guerra mais longa e mais difícil do que se imaginava, Bush anunciou o início da guerra em um pronunciamento curto à nação, quase uma hora depois de ouvirem-se sirenes e explosões na capital, Bagdá.

  • As forças americanas e aliadas estão nos estágios iniciais de operações militares para desarmar o Iraque, libertar seu povo e defender o mundo de um grande perigo – disse Bush.

Ele disse que primeiros ataques foram contra “alvos selecionados de importância militar”.

  • O único resultado aceitável é a vitória – disse o presidente dos EUA, George W. Bush, em um discurso de cerca de quatro minutos.

Disparos de artilharia foram ouvidos perto da fronteira entre o Iraque e o Kuwait, informaram testemunhas à agência de notícias Reuters. Centenas de milhares de soldados dos EUA e da Grã-Bretanha concentraram-se nos últimos meses perto da fronteira. Mas não há informação ainda de que as forças em terra tenham recebido ordens para iniciar a invasão do território iraquiano pelo Sul.

O dia amanhecia na capital iraquiana, que durante o dia anterior havia se transformado numa cidade fantasma, com moradores em pânico escondidos em bunkeres improvisados ou trancaficados em casa, à espera de um bombardeio que foi anunciado como o mais devastador jamais enfrentado um inimigo americano.

  • Os estágios iniciais do desarmamento do regime iraquiano começaram – anunciou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, logo em seguida.

Caças sobrevoaram a cidade e ao menos um incêncio foi relatado. O Iraque respondeu com artilharia antiaérea. Segundo o correspondente da CNN no Pentágono, James McIntyre, o que seu viu nas últimas horas da madrugada de Bagdá foi um ataque de mísseis contra um “alvo de oportunidade” que não faria parte da operação mais ampla esperada para as próximas horas.

Nesta primeira leva de bombardeios, foram usadas quatro bombas guiadas levadas por caças-bombardeiros stealth F-117A e disparados 40 mísseis Tomahawk Cruise de navios americanos no Mar Vermelho e no Golfo Pérsico, todos convergindo para o ponto ao sul de Bagdá onde a inteligência americana acreditava se encontrar Saddam naquele momento.

O coronel Chris Hughes deu a entender que alvos no sul do Iraque também foram atingidos e que espera momentos de calmaria antes da chama da onda de “choque e medo” que as forças aliadas prometeram para as primeiras horas da guerra, com mais de três mil bombas sendo lançadas contra país.

Decisão antes do jantar – Autoridades militares teriam dito a Bush nesta tarde que valeria à pena lançar o ataque isolado, para não perder uma chance de atingir o alvo – ainda não confirmado.

Bush tomou a decisão de realizar o ataque contra Sadam Hussein quatro minutos depois o fim do prazo de 48 horas dado a Saddam para deixar o Iraque. O correspondente da CNN, John King, informou que ele recebeu um relatório sobre a possível presença de Saddam em um determinado local de Bagdá e lhe foi pedida autorização para atacar.

Bush deu a ordem e foi jantar com a primeira dama, Laura. Na volta, fez o pronunciamento à nação. Mais tarde, depois de ser notificado sobre o andamento do ataque, o presidente recolheu-se à ala residencial da Casa Branca, encerrando o expediente do dia. O vice-presidente Dick Cheney deixou a Casa Branca, encerrando também seu dia de trabalho.

O ultimato para que Saddam deixasse o Iraque em 48 horas foi dado na noite de segunda-feira, depois que os EUA e seus aliados declararam fechada a janela da diplomacia, deixando para trás o esforço internacional antiguerra liderado por França, Alemanha e Rússia, os gigantescos protestos em todo o mundo e o temor de que uma nova guerra no Golfo Pérsico reacenda a fúria de terroristas islâmicos.

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