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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Cientistas desenvolvem a primeira região artificial do cérebro

19/03/2003 15h13 – Atualizado em 19/03/2003 15h13

LONDRES — Um grupo de cientistas conseguiu desenvolver um microprocessador que, pela primeira vez, reproduz artificialmente uma região do cérebro, imitando as funções de uma zona que controla a memória, o temperamento e a consciência.

Projetado por pesquisadores da University of Southern California, em Los Angeles, o microprocessador de silício realiza as funções da região cerebral conhecida como hipocampo e, algum dia, poderia ser utilizado para ajudar pessoas com danos nesta parte do cérebro.

Os primeiros testes do microprocessador serão realizados no tecido de cérebros de ratos e, posteriormente, em outros animais.

“Se tudo sair bem, o método será testado de uma maneira para ajudar as pessoas que sofreram lesões no cérebro devido a acidentes vasculares cerebrais, epilepsia ou Mal de Alzheimer”, disse a revista New Scientist, em sua edição de quarta-feira.

Theodore Berger e sua equipe desenvolveram um hipocampo artificial para testar se o sistema poderia funcionar. O experimento levou quase 10 anos.

Primeiramente, eles desenharam um modelo matemático de como o hipocampo funciona em todas as condições.

Depois, construíram o modelo em um microprocessador de silício e iniciaram experiências para fazê-lo interagir com o cérebro nos estudos de laboratório.

“Ninguém entende como o hipocampo codifica a informação e a equipe de pesquisadores simplesmente se limitou a copiar esse comportamento”, disse a revista.

Se os testes iniciais com tecido cerebral forem bem sucedidos, Berger e seus colegas planejam começar outros experimentos com ratos vivos no prazo de seis meses e, depois, com macacos.

“Se você perder o hipocampo, você apenas perde a capacidade de armazenar novas lembranças”, disse Berger à revista.

Berger ressalvou que a prova definitiva do êxito da experiência só ocorrerá mesmo quando o microprocessador, que se colocará fora do crânio, ajudar uma pessoa com danos no hipocampo a recuperar sua capacidade de armazenar lembranças.

A revista advertiu que o microprocessador afetaria a memória e o temperamento, que são fundamentais para a identidade de um indivíduo, e assim haverá aspectos éticos relacionados com sua utilização.

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