19/03/2003 16h11 – Atualizado em 19/03/2003 16h11
O destaque dado pela imprensa a ataques ocorridos nas praias dos Estados Unidos há dois anos pode ter sido crucial para piorar a reputação dos tubarões. Pelo menos é a conclusão de uma pesquisa divulgada nesta semana.
Setenta por cento dos 1.010 norte-americanos entrevistados recentemente pelo Aquário Nacional de Baltimore, no estado de Maryland, acreditam que os tubarões são perigosos. E 72 por cento opinam que a população de tubarões é adequada ou até demasiadamente alta.
George Burgess, um biólogo marinho que dirige o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, afirma exatamente o contrário.
“Antes de 2001, o público estava tomando consciência da necessidade de se conservar os tubarões”, disse Burgess. “Mas, o document.write Chr(39)verão do tubarãodocument.write Chr(39) mudou tudo isso e a percepção do público retrocedeu vários passos até a mentalidade do filme document.write Chr(39)Tubarãodocument.write Chr(39)”.
Os hamsters mordem mais
Alguns cientistas afirmam que há mais probabilidade de uma pessoa ser mordida por um hamster do que por um tubarão.
Estudos demonstram que algumas populações de tubarões, incluindo a do grande tubarão branco, o vilão do filme de Steven Spielberg, já registraram quedas em seu número de até 90 por cento nos últimos 15 anos.
“O Verão do Tubarão”, como descrito pela revista Time em sua capa naquela época, aumentou o medo que muita gente têm dessas criaturas marinhas, segundo Burgess.
A ampla cobertura da imprensa foi propiciada por um tubarão que arrancou o braço de um menino de oito anos em uma praia da Flórida em 6 de julho de 2001.
Da noite para o dia, os ataques e os simples fato de se avistar tubarões se converteram em notícia internacional, dando lugar a inumeráveis reportagem televisivas e na capa de jornais, incluindo a manchete do jornal sensacionalista “Weekly World News”: “Castro treinou tubarões assassinos para atacar os Estados Unidos”, referindo-se ao presidente de Cuba, Fidel Castro.
Em meio à comoção, segundo Burgess, simplesmente foram esquecidos dados de que em 2001 aconteceram 13 ataques de tubarão a menos em todo o mundo que no ano anterior.
Também em 2001, quatro pessoas morreram em ataques de tubarões, em comparação com as 13 de 2000, de acordo com o especialista.
“A temerosa fascinação das pessoas com os tubarões apenas pode ser comparada com a ingenuidade dos meios de comunicação”, escreveu o colunista do jornal Miami Herald, Carl Hiassen. “A movimentação publicitária foi um resultado inevitável”.
Grandes ameaças
Estudos recentes sugerem que os tubarões, um dos predadores que existem há pelo menos 400 milhões de anos, tiveram uma vida difícil nos último 25 anos.
Com exceção dos “makos”, as 400 espécies de tubarões diminuíram em pelo menos 50 por cento entre os últimos oito e 15 anos, segundo um estudo publicado na edição de janeiro da revista Science.
As ameaças contra as populações de tubarões vêm principalmente da contaminação da água e da pesca indiscriminada, de acordo com Alan Henningsen, biólogo marinho e especialista em tubarões do Aquário Nacional.
Os tubarões também demoram mais tempo que a maioria dos peixes para amadurecer sexualmente, entre 12 e 18 anos em algumas espécies, informou Henningsen. E, em geral, as fêmeas têm uma ou duas crias.
Mesmo com as regulamentações federais que restringem a pesca de tubarões em águas norte-americanas, esses animais continuam sendo alvo de ataque em grande parte do mundo.
Suas cartilagens são utilizadas para o tratamento do câncer em alguns países, e a sopa de asa de tubarão é considerada um manjar na Ásia, explicou Henningsen.
Mas, o biólogo e outros especialistas dizem que as persistentes quedas nas populações de tubarões poderiam desequilibrar a cadeia alimentar.
“Há muitas coisas sobre os tubarões que ainda não entendemos”, disse Henningsten. “Por isso, temos que continuar estudando-os e protegendo-os”.
O Aquário Nacional de Baltimore está inaugurando, nesta semana, uma exposição para tentar acabar com os mitos sobre os tubarões.
A mostra, que pretende aproximar o público dos tubarões, durará até o final do ano e permitirá que os visitantes vejam várias espécies no grande aquário e possam tocar pequenos tubarões bambu.
Burgess espera que esse tipo de programa educativo ajude a minimizar os danos causados pela imprensa à imagem dos tubarões pela cobertura de 2001.
“Temos que mostrar a verdade”, afirmou. “Os tubarões não são assassinos sedentos de sangue; são animais incríveis e que merecem nosso respeito e proteção”.





