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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Dezessete soldados iraquianos se entregam a forças aliadas, que se acumulam na fronteira

19/03/2003 16h31 – Atualizado em 19/03/2003 16h31

BAGDÁ – Ao menos 17 soldados do Iraque cruzaram a fronteira de seu país com o Kuwait e se entregaram a forças dos EUA na noite desta quarta-feira (horário local), disseram fontes militares americanas. A rendição ocorre num momento em que 20 mil soldados da Terceira Divisão de Infantaria americana se aproximavam da fronteira. O deserto do Kuwait está cheio de sinais de que a guerra – batizada pelos EUA de “Operação Liberdade do Iraque” e por Saddam Hussein de “A Última Batalha” – está para começar a qualquer momento.

A tensão aumenta vertiginosamente, à medida que se esgota o ultimato dado pelo presidente George W. Bush para que o ditador iraquiano e seus filhos deixem o país. Saddam, Uday e Qusay deveriam deixar o poder e fugir par o exílio até as 22h (horário de Brasília) desta quarta-feira para evitar uma guerra, mas a família Hussein já rejeitou o ultimato e prometeu lutar até a morte.

Os 15 soldados iraquianos foram os primeiros a se render. Eles se entregaram antes mesmo de uma guerra começar, algo que a Força Aérea dos EUA vinha encorajando, ao jogar mais de um milhão de panfletos avisando sobre os riscos da resistência. De acordo com o “New York Times”, os soldados não são prisioneiros de guerra, porque o confronto ainda não começou. Eles estão sob custódia da polícia de fronteira do Kuwait.

A dissidência foi recebida com euforia pelas tropas aliadas. Os homens se entregaram em meio a uma violenta tempestade de areia no deserto, que envolveu os exércitos britânico e americano e deixaram a visibilidade limitada a poucos metros – algo que poderia vir a atrapalhar os planos de uma invasão por terra.

Apesar da tempestade, as tropas continuavam avançando pelo deserto do Kuwait. Milhares de fuzileiros navais e integrantes da infantaria do Exército americano – ao lado de tanques e equipes médicas – estão posicionadas na fronteira do Kuwait com o Iraque, aguardando uma ordem de ataque do presidente George W. Bush. Na noite de terça-feira, o Pentágono disse ao presidente Bush, comandante-em-chefe das forças americanas, que seus homens estão prontos para agir contra Saddam.

Unidades de elite americanas assim como homens da Agência Central de Inteligência (CIA) já haviam entrado no Iraque para estudar alvos potenciais, reunir dados de inteligência e preparar o campo de batalha. Nesta quarta-feira, o major-general do Exército de Israel, Aharon Zedocument.write Chr(39)evi, afirmou que a guerra pode ser lançada pouco tempo depois de expirar o ultimato.

Com cerca de 150 mil soldados britânicos e americanos prontos para atacar, o Parlamento do Iraque realizou uma reunião de emergência para rejeitar com veemência o prazo final dado por Bush e prometer defender o ditador com sangue.

Apesar do tom desafiador do Parlamento, o Iraque se preparava para uma guerra iminente. Bagdá transformou-se numa cidade fantasma. O fornecimento de energia começou a falhar, e à medida que a noite cai, as pessoas se escondem em bunkeres. Os moradores já estocaram suprimentos de emergência. As lojas estão fechadas, as janelas reforçadas com placas de madeira. Os hospitais preparam os leitos para acomodar as baixas da guerra e mulheres grávidas lotam os centros cirúrgicos pedindo operações de cesariana para ter seus filhos antes de um ataque.

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