07/02/2003 09h04 – Atualizado em 07/02/2003 09h04
As informações prestadas pelos dois meninos que estavam com Udson de Souza Cordeiro, 10 anos, no dia em que ele teria sido assassinado em um ritual macabro pela tia Maria do Carmo de Souza, 57, não ajudaram a polícia a avançar nas investigações. Apesar disso, uma irmã e uma sobrinha da acusada contaram hisórias de crueldades.
Segundo o delegado Marco Aurélio Síria, da Divisão de Crimes Contra a Pessoa, os meninos estavam “muito condicionados” e contaram que Udson se afogou sozinho. No entanto, as informações contradizem histórias de maldade e, de igual forma, macabras, contadas por uma irmã e uma sobrinha da dona de casa que vieram de São Paulo e do Rio de Janeiro para revelá-las à polícia.
Segundo o delegado, os meninos, que são irmãos, de 9 e 12 anos, e netos do atual companheiro da dona de casa, contaram que, na tarde do dia 24, logo após o almoço, brincaram de “guerra de lama”, jogando bolas de barro uns nos outros, às margens do Córrego Traíra. Como se sujaram, resolveram entrar no córrego para tomar banho. Udson teria começado a se sentir mal, de repente e, ao mesmo tempo, a se afogar, sendo arrastado pelas correntezas. Segundo contaram, só encontraram Maria do Carmo no caminho, quando retornavam para casa.
Segundo o delegado, os meninos demonstraram muita preocupação em defender Maria do Carmo, o que não muda o rumo das investigações. “Ela confessou o crime, a forma como o cometeu, sem nenhuma coação. Temos ainda o sangue encontrado no local, cujo fator RH é semelhante ao da mãe e da criança”, disse. Segundo o delegado, sem o corpo, a materialidade do crime se dará com o resultado do DNA, cujo exame está sendo feito pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, em Belo Horizonte.
Além da dor da perda, em muitos momentos convertida em revolta, a família da dona de casa também tem medo. Segundo a copeira Ione Lúcia de Souza Filho, 47, que mora em São Paulo e está em Valadares para prestar depoimentos, a irmã Maria do Carmo, que bebeu do sangue e comeu das vísceras do sobrinho, “não é louca, mas cruel”. “Sempre tivemos medo que matasse alguém da família e isso aconteceu”, disse. Segundo ela, a irmã matou dois ex-companheiros e não apenas um, e também deixou um terceiro ferido. Nunca foi presa porque não encontraram os corpos.
“Os dois maridos que ela matou no Rio de Janeiro foram picados, colocados em sacolas de lixo e recolhidas pelo caminhão”, acusa. Segundo a sobrinha, Adriana Lúcia de Souza, 29 anos, o primeiro marido assassinado era de Magé (RJ) e o segundo era caseiro de uma casa de veraneio da política Cidinha Campos, do Rio. O terceiro companheiro e que pode ter escapado se chamava Roberto. “Um dia ela me disse que a parte mais dura para cortar é o pescoço. Vínhamos avisando o pessoal aqui para ter cuidado com a Maria do Carmo, mas não adiantou”, enfatizou.
Segundo a mãe do menino, a frentista Rosilaine Meireles de Souza, Maria do Carmo esteve na casa da família uns dias antes do crime e pediu ao avô de Udson, Antônio Eloy, 49 anos, para amolar todas as facas que ela tinha em casa. “Meu pai está triste com isto. Só de pensar que uma das facas pode ter sido usada para matar o menino o revolta”, contou.
Maria do Carmo também teria tentado matar um sobrinho, de 17 anos, que não aceitou fazer sexo com ela, segundo Ione. “Temos medo de que a polícia entre nessa história de que ela é doida e a solte. Na verdade, ela é cruel. Tem que pagar pelo que fez na cadeia”, disse a mãe do menino.
Fonte: Hoje em Dia





