06/02/2003 16h20 – Atualizado em 06/02/2003 16h20
O dólar amenizou um pouco a alta na reta final dos negócios e encerrou o dia a R$ 3,592 para venda e R$ 3,587 para compra, uma alta de 0,89%, após registrar a máxima de R$ 3,625.
Segundo operadores, alguns bancos que teriam comprado grande quantidade de dólares durante a manhã, supondo que a moeda subisse, aproveitaram para desovar uma parte no mercado durante a tarde. Somado esse movimento à entrada de recursos por parte de empresas exportadoras, a cotação reduziu a alta.
A Volkswagen anunciou hoje a conclusão de um contrato de US$ 500 milhões com a China para a exportação de veículos Gol. Operadores também citam entradas de recursos da Petrobras e, no decorrer da semana, Bradesco e BankBoston anunciaram novas captações.
Enquanto isso, no mercado de títulos da dívida, o C-Bond, principal papel brasileiro no exterior, sobe 0,54% para 69,625% do valor de face. Já o risco Brasil sobe 1,14% para 1.329 pontos.
Iraque
A fonte de pressão a alimentar a alta do dólar e do risco Brasil continua sendo as tensões no Iraque. Ganha força no mercado a possibilidade de uma guerra mais longa do que os cerca de dois meses que se previa inicialmente, dada a posição mais isolada dos EUA.
Ontem, o secretário de Estado dos EUA, general Colin Powell, apresentou à ONU (Organização das Nações Unidas) o que disse serem provas contundentes de que o Iraque mantém armas de destruição em massa, o que o país nega.
Embora Powell tenha deixado clara a intenção do país de atacar mesmo sem o apoio da ONU e reafirmado a posição do país, ele não conseguiu, com as provas, convencer países como a França, Alemanha e Rússia sobre a necessidade de uma intervenção militar para desarmar Saddam Hussein.
Se os EUA agirem sem o consenso da ONU, a guerra pode se alongar e as prováveis consequências econômicas do conflito, sobretudo sobre os preços do petróleo, seriam mais graves.
Os investidores esperam agora por um posicionamento definitivo dos EUA no dia 14, quando o chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, apresentará o saldo de sua visita ao Iraque neste fim de semana, durante a qual buscará esclarecer pontos obscuros do relatório de armas entregue pelo país em 7 de dezembro.
Também começam a crescer nos mercados as tensões em relação à Coréia do Norte. Hoje, o país declarou que qualquer ataque dos Estados Unidos contra suas usinas nucleares provocaria um “poderoso contra-ataque”, o que significaria “guerra total”.
A Coréia do Norte foi incluída pelo presidente norte-americano George W. Bush, em um discurso no ano passado, no que ele chamou de “Eixo do Mal”, junto com Afeganistão e Iraque. A declaração, na época, gerou atritos diplomáticos entre os dois países. Agora, os EUA acusam a Coréia do Norte de estar reativando suas usinas nucleares para finalidade bélicas, e não infra-estruturais, como afirma o país.
Fonte: Folha Online






