03/02/2003 09h31 – Atualizado em 03/02/2003 09h31
Intrometido ou um superstar? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi notícia na Argentina, ontem. O jornal La Nación dedicou a capa do suplemento Enfoques ao presidente brasileiro com a manchete “Lula superstar”. No entanto, uma pesquisa de opinião pública mostrou que 42,6% dos entrevistados consideraram Lula “um intrometido”.
O centenário jornal destacou o sucesso do petista no Fórum Econômico de Davos e a euforia que causa na multidão que espera sua entrada no Palácio do Planalto todas as manhãs. O La Nación também ressaltou o “pragmatismo” exercido pelo governo petista neste primeiro mês no comando do País, citando o aumento da taxa de juros implementada pelo Banco Central, algo que Lula criticou no governo anterior.
Em uma coluna com o nome de “o milagre do equilibrista inimaginável”, o cientista político Carlos Escudé – polêmico pensador da direita argentina – afirmou que “os investidores possuem bons motivos para expressar otimismo: Lula, o ex-operário metalúrgico, que no passado ameaçava interromper o pagamento da dívida, evoluiu. Não somente desistiu de posturas mais radicalizadas e nomeou pessoas confiáveis para seu gabinete, como também parece ter compreendido uma verdade que o populismo latino-americano não pode iludir: que as contas precisam fechar”.
Além de “superstar”, Lula também está sendo visto como “um intrometido”, conforme uma pesquisa feita pela consultora Ddocument.write Chr(39)Alessio Irol. O levantamento analisou a reação dos argentinos sobre a suposta frase do presidente Lula sobre as eleições presidenciais argentinas. Na semana passada, durante sua visita a Paris, Lula teria dito que o vencedor dessas eleições seria “o candidato do presidente Eduardo Duhalde, o governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner”.
A pesquisa indicou que 42,6% consideraram que as declarações de Lula foram “por ser puramente um intrometido”. 31,7% viram a opinião como uma tentativa “de consolidar-se como líder regional”. Para 25,7%, a declaração seria uma forma de “apoiar Duhalde”.
Kirchner – que é um dos vários pré-candidatos presidenciais do partido de Duhalde, o Justicialista (Peronista) – é considerado um homem “progressista” na área social, embora conservador na área econômica. Ele é a última cartada de Duhalde para derrotar seu arqui-inimigo interno do peronismo, o ex-presidente Carlos Menem, também candidato à presidência da República.
Fonte: O Povo





