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terça-feira, 12 de maio de 2026

Pesquisadora indiana destaca atitudes de Lula para alcançar a paz

27/01/2003 10h21 – Atualizado em 27/01/2003 10h21

Pesquisadora e diretora do Conselho de Relações Internacionais na área de conflitos e paz, em Nova York (EUA), a indiana Radha Kumar fez ontem (26), no 3° Fórum Social Mundial, um testemunho sobre a dificuldade em produzir a paz quando foi convidada para participar do fórum, devido ao fato de desconhecer os princípios evocados pelo título da conferência da qual fez parte, “Paz e Valores”.

“Nos países que mais conheço – o meu, a Índia e os Estados Unidos, onde vivo –, os jovens são dirigidos por bandidos, por criminosos, por gângsteres. Nunca vi tanta falta de vergonha, quando se cometem tantos pecados como nesses dois países”, relatou. A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Davos, na Suíça, segundo Radha, deu a ela a esperança que achava ter perdido. “Quando seu presidente vai a Davos dizer o que estamos discutindo aqui em Porto Alegre, e vem aqui em Porto Alegre lhes dar satisfação do que foi fazer em Davos, dá um exemplo que não conheço em meu país”, contou a pesquisadora.

Radha se disse esperançosa de que o comportamento de Lula na presidência da República, que passa pela abertura de ouvir o povo e ser transparente em suas atitudes, possa ser um exemplo para o governo de seu país, no próximo ano, quando a Índia ouvirá o relato de Porto Alegre, pessoalmente. É lá, no país onde hoje vivem mais de 1 bilhão de pessoas, que se realizará o 4° Fórum Social Mundial.

Ela não só rejeitou por completo a possibilidade de guerra contra o Iraque como relembrou o bombardeio ao Afeganistão, que matou mais de 10 mil pessoas há um ano. Segundo Radha, os aliados prometeram ajudar o povo afegão com recursos, para que o país saísse do caos econômico e institucional em que se encontrava após a guerra. “Mas, estou esperando até hoje, não vi ajuda nenhuma sendo enviada ao Afeganistão”, disse.

A caçada aos integrantes da Al Qaeda, alertou a indiana, tem repercussões maiores que a simples busca por Osama bin Laden. Essa perseguição, afirmou, está gerando ódio entre hindus e mulçumanos na Índia, algo que não existia antes. Quando houve as primeiras guerras na antiga Iuguslávia, Radha recordou que pessoas do mundo inteiro se solidarizaram com o país e foram até lá com o argumento de ajudá-los a reconstruir suas estradas e o próprio país. “Hoje, temos esse compromisso com o povo afegão, não podemos nos esquecer deles. Vamos criar redes de cooperação para entrar naquele país tão dilapidado e construir estradas junto com eles”, conclamou a indiana.

Fonte: Agência Brasil

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