27/01/2003 13h42 – Atualizado em 27/01/2003 13h42
A Coréia do Sul vai ressaltar à vizinha Coréia do Norte a importância de o país comunista pôr fim ao impasse nuclear com os Estados Unidos, mas não espera uma resolução imediata, disse Lim Dong-won, enviado especial do presidente sul-coreano Kim Dae-jung para a capital norte-coreana, Pyongyang.
A missão de Dong-won pode ter sido facilitada pelas declarações feitas ontem pelo governo norte-americano. Washington disse estar pronto para comunicar à Coréia do Norte que não têm intenções de atacá-la.
Mas o isolado país stalinista proferiu uma torrente de insultos contra o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que está planejando um debate de emergência sobre a crise.
Pyongyang questionou a avaliação do chefe da agência, dizendo que o representante da ONU não está mais na posição de discutir suas ambições atômicas.
Numa tentativa de acalmar os nervos, Lim chegou em Pyongyang depois de um raro vôo direto de Seul sobre a zona desmilitarizada que divide as duas Coréias desde a Guerra Coreana (1950-53).
“Eu vou transmitir diretamente aos norte-coreanos o firme desejo de paz e de reconciliação do presidente sul-coreano Kim e a esperança de todo o nosso povo”, disse Lim a jornalistas antes de partir.
“Espero abrir um canal e dar os primeiros passos em direção à resolução da questão nuclear de uma maneira que evite a guerra”, acrescentou.
Analistas dizem que a missão poderia ser um sinal de possíveis reuniões envolvendo a Rússia e a China que eventualmente resultassem em discussões diretas entre Pyongyang e Washington, algo que o Norte sempre pediu.
A crise surgiu em outubro, quando os EUA, que colocaram a Coréia do Norte junto com o Iraque e o Irã no “eixo do mal”, disseram que o Norte havia confessado desenvolver armas nucleares.
Pyongyang mais tarde expulsou os inspetores de armas da ONU, retirou lacres de um reator e abandonou o Tratado de Não-Proliferação (NPT).
A viagem de Lim e a retomada das atividades diplomáticas para persuadir o Norte a renunciar as ambições nucleares deram uma pausa aos planos da IAEA de realizar uma sessão de emergência já no dia 3 de fevereiro.
Lim descartou, no entanto, a possibilidade de uma conclusão imediata para a crise. “Como todos sabem, o problema nuclear vai levar um bom tempo para ser resolvido”, comentou.
Fonte: Reuters






