22.7 C
Três Lagoas
quinta-feira, 7 de maio de 2026

Cresce interesse pela criação de emas

15/01/2003 13h26 – Atualizado em 15/01/2003 13h26

Mesmo produzindo carne, ovos, penas e couro de alta qualidade, a grande aposta que está sendo feita na ema é como pet (animal de estimação). Já há fila de pessoas interessadas nessa ave de pescoço comprido esticado e olhar curioso, à volta da piscina ou à margem do campinho de futebol, comendo capim, sementes, insetos e arriscando uma bicada no relógio ou no copo de caipirinha na beira do campo. Quem aposta pesado na criação de emas é Alberto Whitaker, que começou com duas fêmeas e um macho, adquiridos em Goiânia (GO), e hoje mantém 80 matrizes na Fazenda Santa Clara, em Itaí (SP). Ele confessa que ficou encantado com a produtividade, de 20 a 25 filhotes/ano por fêmea. “O ideal para a incubação de ovos de ema é 60% de umidade, condição típica do Estado de São Paulo.”

Para conseguir escala comercial, Whitaker aliou-se ao biólogo Fernando Siqueira Magnani, ex-presidente da Sociedade de Zoológicos do Brasil e atual diretor do Parque Ecológico de São Carlos, que, juntamente com outro biólogo, Francisco Rogério Paschoal, estuda a ema há mais de dez anos. Magnani diz que há pouco mais de uma dúzia de criadores de ema em escala comercial no Brasil. “Por ser animal silvestre nacional, só recentemente sua criação foi autorizada pelas autoridades ambientais.” Os Estados Unidos têm um plantel de cem emas, com a criação iniciada em 1950, suplantado apenas pelo Uruguai, onde uma única fazenda tem 2.700 cabeças.

Também a Argentina e o Canadá produzem a ave. “É importante a criação de emas no Brasil, porque em certos Estados, São Paulo entre eles, a ave está quase extinta na natureza e sua preservação depende da criação em cativeiro”, explica. Quatro por um – Para criar emas o ideal é quatro fêmeas por macho, com idade mínima de 17 meses, quando atingem a maturidade sexual, segundo Whitaker. No início do período reprodutivo, o macho emite um som estranho, parecido um mugido, e constrói o ninho – simples depressão no solo com meia dúzia de gravetos – onde todas as fêmeas fazem a postura, entre 20 e 25 ovos por período. Só quando a postura termina o macho se deita, começa a chocar e não se levanta mais. “Na natureza, as fêmeas abandonam o macho assim que ele começa a chocar e procuram outro macho, sendo fertilizadas, reiniciando a postura”, diz Magnani. “Em cativeiro isso não ocorre.”

Um bom macho incuba duas vezes por ano, se os filhotes forem retirados ainda pequenos, poupando-lhe o trabalho de criá-los. Os ovos também podem ser levados para uma incubadeira, o que motiva a fêmea a aumentar a postura. O cuidado, nesse caso, é manter a umidade em 60% e, em 39 dias os filhotes começam a emitir sons dentro dos ovos e no 41.º dia ocorre a eclosão. A ração inicial é a de frango de corte, complementada com muita fruta e verdura picada, substituída depois pela ração para ratitas. O biólogo garante que são raros os problemas de saúde, já que a ema é originária da América do Sul. Na média, há quebra de 15% em relação à postura, diz Magnani. A ema cresce depressa, não se estressa com a presença humana, cresce até 1,5 metro de altura, quando pesa cerca de 30 quilos.

Inimigo – A experiência do biólogo, confirmada na Fazenda Santa Clara, indica que o maior inimigo da ema é o cachorro, principalmente o caipira que, não se sabe por quê, tem compulsão em persegui-las e atacá-las. Como a ave não voa, mas dispara numa corrida veloz, isso incentiva ainda mais o instinto caçador do cão, que acaba alcançando-a e matando-a. Desde que afastados os cães e mantidas as emas em grupos familiares de quatro por piquete, a produtividade de cada uma alcança de 9 a 12 quilos de carne saudável, sem colesterol. Também produz penas, usadas para espanador. Whitaker confessa que para o uso em escolas de samba a pena do avestruz é muito melhor. O couro do corpo da ema é liso, indicado para confecção de bolsas, sapatos e pastas, enquanto o couro da canela é usado para cintos e acabamentos finos. Já o ovo corresponde quase a uma dúzia de ovos de galinha e é usado também para produção de objetos de decoração. Apesar dessa perspectiva de venda de produtos de ema, a pesquisa feita pelos criadores indica que o grande mercado é o de emas vivas, pois entre os animais silvestres é um dos mais afáveis e trato fácil.

Outras espécies – Entre outras espécies, a Santa Clara abriga em seus quase 300 hectares, em piquetes de semicativeiro, lobos-guarás, veados catingueiros, capivaras, além de araras-vermelhas, araras-canindé e papagaios-verdadeiros, abrigados numa ilha, curicas, duas espécies exóticas, cervos-nobres e javalis, mais quatis, queixadas, catetos, jacarés-de-papo-amarelo, cutias, cachorros-do-mato. As aves da fazenda somam 105 espécies.

Fonte: OESP

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.