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quinta-feira, 7 de maio de 2026

ONU acusa rebeldes do Congo de canibalismo e estupros

15/01/2003 14h09 – Atualizado em 15/01/2003 14h09

Canibalismo, estupros sistemáticos, tortura e sequestros foram usados como armas pelos rebeldes do Congo durante o conflito nas remotas áreas do país habitadas pelos pigmeus, disse a ONU (Organização das Nações Unidas) hoje.

“Eles cortavam as orelhas e outros órgãos de suas vítimas e obrigavam suas famílias a comê-las. Uma menininha foi executada, cortada em pedacinhos e comida”, disse uma porta-voz das Nações Unidas, comentando os resultados das investigações sobre as atrocidades cometidas nas florestas do nordeste do Congo (ex-Zaire).

“Esses grupos armados são compostos por loucos, e esses loucos estão fora de controle”, disse a porta-voz Patricia Tome.

Segundo ela, as atrocidades foram provocadas pelo Movimento de Libertação do Congo, que tem o apoio de Uganda, e por duas facções menores. A guerra civil no país, o terceiro maior da África, já provocou 2 milhões de mortes desde 1998.

Os investigadores foram enviados à região de Beni, perto da fronteira com Uganda, depois dos combates que, segundo agências humanitárias, deixaram 155 mil desabrigados desde meados de outubro.

Em dezembro, o governo e os rebeldes firmaram um acordo de paz, mas os combates prosseguiram até recentemente, quando houve um acordo local.

“A comissão de inquérito recebeu testemunhos que corroboraram as informações de saques e estupros sistemáticos, bem como de execuções sumárias e sequestros, usados como armas de guerra”, disse Tome.

Entre as vítimas estão os pigmeus, considerados os povoadores originais das florestas africanas, mas hoje expulsos de suas terras por tribos modernas. Tome disse que alguns deles foram obrigados a deixar a floresta pela primeira vez.

Os investigadores entrevistaram 368 pessoas, inclusive vítimas e testemunhas que teriam ouvido dos rebeldes a intenção de “limpar” a área. “A ação dos rebeldes foi apresentada como uma campanha de vacinação, destinada a saquear cada casa e estuprar cada mulher”, disse Tome.

O líder do Movimento de Libertação do Congo, Jean Pierre Bemba, que espera se tornar vice-presidente com a implementação do acordo de paz, disse ontem que determinou a prisão domiciliar de todos os guerrilheiros responsáveis pelas atrocidades.

Fonte: Reuters

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