14/01/2003 08h29 – Atualizado em 14/01/2003 08h29
O agricultor Jair Simões da Costa, conhecido como Jair do Bel, 24 anos, se matou com um tiro de revólver na cabeça na madrugada de domingo, horas depois de assassinar três pessoas de uma mesma família, na comunidade de Barra da Espingarda, distante 18 quilômetros de Caicó, na região do Seridó. O triplo assassinato, pelo que apurou a polícia, foi motivado pela demissão do agricultor do trabalho na casa das vítimas onde cuidava de dois idosos.
Jair do Bel aterrorizou a população da região depois de vitimar Rita Soares de Medeiros, 77 anos, e seus filhos José Emídio da Silva, 55 anos, e Maria de Lourdes, 54 anos, mortos com golpes de pé de cabra, chave de roda e tiros de revólver. Ele ainda deixou ferida à bala a comerciante Franceli Maria da Silva, 39 anos, da mesma família, que não corre perigo de morte.
O acusado foi encontrado morto com uma perfuração na cabeça no início da manhã de domingo. Peritos da polícia técnica confirmaram que a causa da morte foi suicídio. O revólver encontrado com o acusado tinha apenas uma bala deflagrada segundo laudo emitido pelo Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep). Todo trabalho de investigação do local do suicídio foi acompanhado pelo delegado André Gurgel. “Tudo leva a crer que foi suicídio”, explicou o delegado.
Jair do Bel se matou com um tiro no ouvido em baixo de uma árvore próximo do local da chacina. A arma ficou perto do corpo, numa posição que não deixou dúvida sobre o suicídio. A polícia estava numa campana em busca do acusado chegando a ouvir o disparo. O corpo, no entanto, só foi encontrado horas depois durante uma diligência pelo mato já na manhã de domingo. O tiro foi escutado na noite anterior. O clima na cidade foi tenso durante todo final de semana por causa da expectativa de um possível confronto entre polícia e acusado. Um grande cerco policial foi montado sob o comando do delegado André Grugel, responsável pelas investigações.
A polícia acredita que o agricultor cometeu o triplo assassinato para se vingar da demissão do trabalho na casa das vítimas. Jair do Bel morava na casa das vítimas há dois anos sem levantar suspeitas sobre seu comportamento violento. Segundo vizinhos, ele foi demitido por causa do envolvimento com jogos e bebedeiras. Outra hipótese estudada para o caso é que o criminoso não estava satisfeito com o acordo feito para sua demissão. O valor recebido pelo tempo de trabalho não teria sido pago integralmente.
A única pessoa que escapou com vida da chacina, Franceli Maria da Silva, 39 anos, relatou que o assassino lhe procurou para acertar débitos de compras num mercadinho vizinho ao local onde moravam as três vítima fatais. A soma dava pouco mais de R$ 100, ficando acertado que a dívida seria saldada no dia seguinte.
Jair do Bel chegou à casa da comerciante de madrugada, desferindo um tiro contra o tórax, próximo do coração. Depois, foi à casa que trabalhava armado com um revólver. Lá, ele matou as três pessoas com pauladas e tiros. A polícia acredita que o agricultor ficou refugiado no matagal próximo da comunidade de Barra da Espingarda até resolver se matar. A polícia continua com as investigações sobre o caso para esclarecer todas as circunstâncias do crime. Pela forma como aconteceu a chacina, a polícia acredita que o crime foi premeditado.
Fonte: Tribuna do Norte





