13/01/2003 13h40 – Atualizado em 13/01/2003 13h40
O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PSB) disse nesta segunda-feira que “qualquer governo é passível” de enfrentar casos de corrupção com fiscais. “A diferença é que eu não escondo nada, não varro sujeira para baixo do tapete”, afirmou em entrevista coletiva.
Funcionários do governo durante a administração de Garotinho (1999-abril de 2002) estão sendo investigados perlo Ministério Público, junto com mais quatro auditores federais, por suposto desvio de US$ 33,4 milhões cerca de R$ 110 milhões de recursos estaduais.
São eles: Rodrigo Silveirinha Corrêa, Lúcio Manoel Picanço, Carlos Eduardo Pereira e Rômulo Gonçalves, da Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte. O dinheiro foi localizado em contas bancárias na Suíça, que estariam no nome de Silveirinha.
O ex-governador negou que tenha tido uma relação próxima com Rodrigo Silveirinha Corrêa durante seu governo. “Ele era o sub do sub do sub”, disse.
O candidato derrotado à Presidência da República e sua mulher, a governadora do Estado, Rosinha Garotinho, atribuem ao primeiro secretário de Fazenda Carlos Antônio Sasse a nomeação de Silveirinha como subsecretário de Administração Tributária. Sasse tem dito que a indicação foi do ex-governador.
Na semana passada, Silveirinha chegou a ser nomeado para a presidência do Codin (Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado), mas foi exonerado pela governadora após a Polícia Federal ter apresentado indícios do esquema de desvio de verbas, que tem Silveirinha como principal personagem.
O advogado dos acusados, Clóvis Sahione, diz que não há provas contra eles e que a investigação se transformou “num processo político”.
CPI
A governadora Rosinha solicitou hoje ao PSB que os integrantes da bancada do partido na Assembléia Legislativa proponham a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias.
A governadora disse também que o Disque Denúncia está à disposição para aqueles que quiserem denunciar fiscais corruptos ou empresas que estiverem praticando atos lesivos aos cofres públicos.
“E se alguém estiver pensando em cometer qualquer ato ilícito na administração estadual, terá o mesmo destino que os fiscais envolvidos no escândalo afastamento de suas funções públicas, investigação e, caso seja comprovada a culpa, demissão”, afirmou a governadora durante entrevista a rádio “CBN”.
Fonte: Folha São Paulo



