10/01/2003 08h53 – Atualizado em 10/01/2003 08h53
SÃO PAULO – O promotor Paulo Sérgio de Oliveira e Costa assumiu ontem de manhã a presidência da Febem e, à tarde, a Tropa de Choque da Polícia Militar foi chamada na unidade de Franco da Rocha (SP) para conter o primeiro tumulto enfrentado pela nova gestão. É a terceira vez que os internos se rebelam em menos de um mês.
Por volta das 15h, 27 adolescentes da ala D da unidade 31 atiraram pedras nos policiais do Grupo Tático que entraram na instituição para controlar o que, em princípio, parecia apenas um tumulto. Os adolescentes tentaram quebrar as portas de ferro que dão acesso ao pátio, mas foram contidos por funcionários da unidade.
A PM foi chamada para ajudar os agentes a trancar os internos nos quartos. Segundo a direção da Febem, eles queimaram um colchão e destruíram as camas. A confusão teve início quando os adolescentes começaram a bater nas grades das celas.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família (Sintraemfa), a rebelião aconteceu por causa de uma tentativa frustrada de fuga, no dia 23 de dezembro.
No dia 7 de janeiro, os internos voltaram a se rebelar durante seis horas e queimaram colchões. Ontem, eles estariam dispostos a tomar o pátio e iniciar um motim com internos e funcionários como reféns.
A assessoria de imprensa da Febem não admitiu que houve rebelião. A versão divulgada é de que apenas três adolescentes iniciaram “um tumulto” e, para garantir a integridade dos funcionários e dos outros internos, a PM foi chamada para recolher os internos.
O comando do 26º Batalhão da Polícia Militar, no entanto, confirmou a rebelião. A unidade tem capacidade para 96 internos, mas abriga 300.
O presidente da Febem disse ontem que quer desativar o Complexo de Franco da Rocha até o meio deste ano. O governo entrou com um recurso para cancelar a liminar que determina o fechamento da unidade 31 até março.
Fonte: Diário de S.Paulo



