08/01/2003 13h38 – Atualizado em 08/01/2003 13h38
Soldados dos Estados Unidos e do Reino Unido que podem ser enviados ao Iraque dizem ter sofrido efeitos colaterais potencialmente fatais da vacina contra o antraz que estão recebendo. Mas autoridades da Defesa insistem que o produto é seguro.
De acordo com grupos de veteranos dos dois países, um em cada três soldados imunizados ficou doente após a vacinação e seis deles morreram nos EUA.
Mas o subsecretário de Estado para Defesa do Reino Unido, Lewis Moonie, disse que não há motivo para alarme. “A vacina vem sendo dada a muitas, muitas pessoas há um longo período e nunca houve nenhum caso de efeito colateral grave. Nenhum caso”, ressaltou ele.
Os soldados britânicos estão aumentando o alarme em relação ao antraz em ligações à Associação Nacional de Famílias e Veteranos do Golfo, fundada devido a alegações de que milhares de soldados estavam sofrendo da “síndrome da Guerra do Golfo”.
“Temos provas”, informou o tesoureiro da associação, James Moore. “Os regimentos dois e três de pára-quedas receberam vacinas contra o antraz. Pelo menos um terço apresentou sintomas semelhantes aos de um resfriado e ficou doente.”
“Nos EUA, mais de 30% tiveram sintomas e seis morreram após a imunização”, acrescentou.
As preocupações de Moore são confirmadas por Joyce Riley, da Associação Americana da Guerra do Golfo, que disse à rádio BBC: “Minha preocupação com a vacina contra o antraz é que ela provou não ser segura. Essa não é uma vacina testada”.
“O que estamos observando nas pessoas que receberam a vacina normalmente está relacionado à perda de consciência, a convulsões e a problemas motores. Estamos descobrindo que essas pessoas são afetadas por lesões na pele. Elas desenvolvem feridas e problemas que nunca passam.”
A desconfiança de veteranos ainda persiste, anos após tentar provar a relação entre a “síndrome da Guerra do Golfo” e o conflito de 1991.
Mas nem os EUA nem o Reino Unido reconhecem que uma associação direta foi estabelecida entre a guerra de 1991 e a síndrome, embora os países tenham gasto mais de US$ 300 milhões em pesquisas sobre as possíveis causas.
Grupos de veteranos suspeitam que o uso de pesticidas nos campos de batalha, os tanques de queima de óleo, as bombas feitas de urânio empobrecido e as novas vacinas causam problemas de saúde que vão desde fraqueza até a perda da função motora.
Fonte: Reuters





