06/01/2003 09h57 – Atualizado em 06/01/2003 09h57
A Coréia do Norte, o último regime comunista ortodoxo, apenas usa os meios que possui para obrigar o Ocidente e o Japão a cumprirem suas promessas de fornecimento de usinas nucleares e termoelétricas para a geração de eletricidade. O país só possui um produto de exportação: mísseis balísticos. E necessita urgentemente de energia elétrica para tocar seus projetos de instalação de uma Zona Econômica Exclusiva no norte do país, nos moldes das existentes na China. Segundo o jornal Shangai Star, a idéia do presidente Kim Jong-il é aproveitar a experiência chinesa e transformar seu país num Tigre Asiático, a exemplo do que ocorreu na Coréia do Sul. Mas para se entender as complexas relações entre o regime de Pyongyang e os Estados Unidos é preciso voltar no tempo.
O país buscou, entre as décadas de 1950 e 1990, ser completamente auto-suficiente, a chamada Política do Juché instituída por Kim Il-sung, primeiro dirigente da Coréia do Norte. Essa política sofreu um duro golpe com o desmanche da União Soviética e o fim das importações de petróleo russo subsidiado, resultando na paralisação da indústria norte-coreana e do processo de mecanização agrícola — substituído por métodos tradicionais de cultivo.
O quadro tornou-se crítico entre 1993 e 1997, quando uma série de enchentes catastróficas destruiu três colheitas. Trezentas mil pessoas morreram e o país tornou-se dependente de remessas de alimentos fornecidas pelas Nações Unidas (ONU). Sem outra alternativa, o novo dirigente do país, Kim Jong-il (filho de Kim Il-sung, morto em 1995), aproximou-se de seus adversários históricos — os Estados Unidos e a Coréia do Sul.
Fonte: Correio Braziliense


