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quarta-feira, 6 de maio de 2026

José Dirceu: pacto social visa combate à desigualdade

02/01/2003 16h59 – Atualizado em 02/01/2003 16h59

O novo chefe da Casa Civil da Presidência da República, ministro José Dirceu, afirmou hoje, em discurso na solenidade em que recebeu o cargo do ministro Pedro Parente, que o pacto social proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva será implementado em duas direções, privilegiando igualmente o desenvolvimento econômico e o combate às desigualdades sociais no país.

“Nós, um partido de esquerda e socialista, e é sempre bom lembrar isso, estendemos a mão para o empresariado brasileiro e propusemos um pacto, mas é preciso que se deixe claro que esse pacto tem duas direções: é preciso defender o interesse nacional, a produção e o desenvolvimento do país, mas a contrapartida é a distribuição de renda, a justiça social, a eliminação da pobreza e da miséria”, afirmou José Dirceu, que foi muito aplaudido pelos cerca de 500 convidados que assistiram à cerimônia no Palácio do Planalto.

Segundo o novo ministro, que será o articulador político do Governo Lula, “não pode haver uma estrada só e uma direção só”. Ele disse que “não é aceitável” que o país resolva seus problemas econômicos, se desenvolva, e que o crescimento econômico não se transforme em maior

participação do trabalho na renda nacional, porque essa participação caiu pela metade nos últimos 20 anos.

“E sem uma distribuição de renda, uma revolução na educação, sem o combate à pobreza, também não haverá desenvolvimento duradouro e sustentável. Todos nós sabemos que a atual concentração de renda e as desigualdades sociais levarão o país ao impasse social, cultural e institucional, e que não é possível viabilizar o desenvolvimento econômico do país sem uma ampla

distribuição de renda, porque essa concentração de renda é impeditiva do crescimento eonômico”.

José Dirceu afirmou que o novo governo considera possível garantir o desenvolvimento econômico do Brasil combatendo simultaneamente as diferenças sociais. “Povo educado,

povo alimentado, é povo soberano que exerce o poder, além de delegá-lo”. O ministro fez também um apelo à sociedade para que participe, de uma forma geral, da implementação dos projetos de Lula para a área social.

Ele ressaltou que o Brasil vive momentos difíceis, devido às ameaças de guerra e aos problemas da economia e das finanças mundiais, mas disse que será mais fácil o governo brasileiro superar as dificuldades decorrentes desse clima adverso, se houver uma ampla participação popular.

O ministro disse que a responsabilidade do governo é maior, mas que superar esse momento difícil depende da participação popular, de uma mobilização nacional.

José Dirceu lembrou que o presidente Lula deixou bem claro esse compromisso no pronunciamento que fez ontem e afirmou: “Somente com um novo contrato social, somente com um pacto social, somente com a mobilização popular, o Brasil enfrentará seus problemas

neste início de milênio”.

O novo ministro disse que fará um trabalho “discreto e humilde”, ressaltando que a orientação de Lula é para que a Casa Civil trabalhe em equipe, sem considerar e lamentar erros de governos anteriores, a fim de que o governo trabalhe afinado para enfrentar os problemas que terá de enfrentar nos próximos quatro anos. José Dirceu, inclusive, assinalou que o novo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, poderá contar com seu apoio no que considerar necessário, já que terá um trabalho muito árduo na condução da economia brasileira.

Após a cerimônia, realizada no final da manhã no Salão Leste, no Palácio do Planalto, José

Dirceu recebeu cumprimentos, por cerca de uma hora, de várias autoridades, entre elas do

ex-presidente e ex-governador de Minas Gerais Itamar Franco, do ex-presidente e senador

José Sarney (PMDB-AP), do presidente do Congresso Nacional, senador Ramez Tebet

(PMDB-MS). Também o cumprimentaram presidentes de partidos aliados, o secretário-geral da Presidência da República, ministro Luiz Dulci, o secretário de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix; os secretários especiais do Conselho de Desenvolvimento Econômico e

Social, Tarso Genro, e da Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, além do ex-governador de São Paulo Paulo Maluf.

Deigma Turazi

Fonte: Agência Brasil

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