30/12/2002 09h06 – Atualizado em 30/12/2002 09h06
A Grande Cuiabá registrou uma queda de 16,4% no número de homicídios em 2002, em comparação ao ano passado. De janeiro até ontem, foram assassinadas 321 pessoas. Em 2001 houve 384 homicídios. Os números fazem parte de um levantamento feito mês a mês pelo Diário nas delegacias especializadas e distritais de Cuiabá e Várzea Grande.
O Comando de Policiamento da Capital (CPC), da Polícia Militar, tem dados tabulados somente até novembro. Segundo o CPC, foram assassinadas 245 pessoas nesse período. Os números da PM não levam em consideração vítimas de tentativas de homicídio que morrem após serem encaminhadas para o pronto-atendimento e nem vítimas de lesões corporais seguidas de morte. O comandante do CPC, coronel Antônio Campos Filho, acredita que o número de mortes em 2002 seja inferior em 20% ao do registrado no ano passado. Para o próximo ano ele espera conseguir reduzir ainda mais esse número.
Ainda segundo o levantamento do Diário, o número de mulheres assassinadas aumentou de 4% do total em 2001 para 6,5% esse ano. Em 2002, 21 mulheres foram mortas. Apesar de ter implantado as companhias de policiamento comunitário, o Cristo Rei, Pedra 90 e a Grande CPA apresentam ainda altos índices de crimes contra a vida. Para se ter uma idéia, esse ano 18 pessoas foram assassinadas no Pedra 90.
O comandante do CPC argumentou que apesar do policiamento no Pedra 90 a questão social é uma das barreiras enfrentadas. “Nessas regiões existe uma grande demanda de pessoas desempregadas e que acabam se envolvendo com o tráfico de drogas. O tráfico tem suas leis próprias. Aqueles que são ameaçados ficam quietos e acabam sendo executados. O homicídio não é um crime que pode ser previsto, mas tiramos das ruas o principal instrumento usado para sua prática, as armas”, disse. Até agora 809 armas foram apreendidas na Grande Cuiabá.
O coronel criticou também a falta de efetivo da Polícia. Segundo ele, o plano previsto para cada companhia de policiamento era de 90 soldados. No entanto, 40 foram encaminhados para trabalhar em cada uma das oito que já estão instaladas em Cuiabá e Várzea Grande. Algumas até chegam a possuir 50 homens. O sucateamento dos veículos também acaba por dificultar ainda mais o trabalho. Da frota de veículos do CPC, cerca de 100, pelo menos 30 estão com defeito e aguardando recursos para que possam ser recolocados nas ruas.
“As viaturas percorrem diariamente cerca de 300 quilômetros, muitas vezes por ruas não pavimentadas. E não temos como parar o veículo para fazer a revisão. É 24 horas por 24 horas nas ruas. O certo seria que pudessem ser avaliadas diariamente, o que não pode ser feito”, explicou.
Fonte: Diário de Cuiabá




