30/12/2002 09h30 – Atualizado em 30/12/2002 09h30
WASHINGTON – A Food and Drugs Administration (FDA) – órgão que fiscaliza remédios e alimentos nos Estados Unidos – confirmou neste domingo que está investigando a alegação da empresa científica Clonaid, que é ligada à controvertida seita Os Raelianos, de que o primeiro bebê clonado na História teria nascido na última sexta-feira.
“Queremos fazer os testes para saber se a clonagem foi de fato realizada e, em caso afirmativo, se as nossas leis foram violadas”, disse um porta-voz da FDA, Brad Stone, segundo a agência France Presse. “Embora a clonagem humana não seja ilegal nos Estados Unidos, qualquer experimento com humanos precisa da autorização da FDA”.
O órgão federal, segundo Stone, investiga o caso apesar de a diretora científica e pesquisadora da Clonaid Brigitte Boisselier ter afirmado que a clonagem foi realizada fora do país.
“Inspecionamos alguns estabelecimentos da seita dos Raelianos no oeste da Virgínia, em 2001, e conversamos com seus dirigentes. Conseguimos que eles assinassem um acordo comprometendo-se a não fazer nenhuma pesquisa sobre clonagem nos Estados Unidos”, afirmou Stone.
Na sexta-feira, durante uma concorrida entrevista coletiva realizada na Flórida, Boisselier anunciou que o primeiro bebê-clone, uma menina chamada “Eve”, teria nascido na véspera, em um país não revelado, e que tanto a criança como sua mãe, uma norte-americana de 31 anos, passavam bem.
“Eve”, ainda segundo Boisselier, seria uma cópia genética idêntica de sua mãe, já que ela teria sido clonada a partir de uma amostra do DNA desta.
O anúncio, feito sem a apresentação de provas ou fotos, gerou uma onda de condenações em todo o mundo, incluindo críticas feitas por membros da comunidade científica, líderes religiosos e políticos, entre eles o papa João Paulo II e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
Boisselier disse que um cientista e jornalista freelancer, Michael Guillen, foi incumbido de escolher um pesquisador independente para colher amostras do DNA da mãe e do bebê a fim de verificar a alegação de clonagem feita pela Clonaid.
Os resultados seriam divulgados dentro de oito ou 10 dias.
Os Estados Unidos não possuem nenhuma lei específica contra a clonagem humana. Mas a FDA vem sustentando, desde 1998, que suas normas proíbem a clonagem humana sem permissão prévia do órgão – autorização esta que afirma não ter a intenção de conceder.
A Clonaid é ligada a Os Raelianos – cujo líder, um ex-jornalista francês, Claude Vorilhon, vulgo Rael, prega que extraterrestres criaram a vida na Terra, a partir de engenharia genética.
Inicialmente, a FDA pretende descobrir onde a suposta clonagem foi realizada.
“Essa é a pergunta fundamental”, disse uma importante autoridade do órgão, pedindo anonimato, segundo a agência Associated Press.
“A implantação de um bebê clonado em uma mulher é, acreditamos, ilegal nos Estados Unidos sem a aprovação da FDA, devido a preocupações fundamentais de segurança e ética”, acrescentou a fonte.
Mas se a Clonaid realizou toda a sua experiência no exterior e o bebê meramente nasceu nos Estados Unidos, a FDA pode não ter base para intervir e agir contra a companhia.
Membros do Congresso norte-americano estão pressionando pela aprovação de uma legislação proibindo explicitamente a clonagem humana, alegando que a jurisdição da FDA não é clara.
E o Governo Bush também quer uma proibição desse tipo de experiências.
Fonte: Associated Press e da France Presse




