30/12/2002 13h33 – Atualizado em 30/12/2002 13h33
Mais de 11 milhões de etíopes estão enfrentando uma grave falta de alimentos e possível fome após um longo período de seca. De acordo com as agências de alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), a falta de chuva levou a uma má colheita em muitas partes do país. “Em muitas áreas de baixada e pastorais da Etiópia, as pessoas mal têm alimentos suficientes para um a dois meses”, informou um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e do Programa Mundial de Alimentação (WFP).
Conforme o relatório, milhões de agricultores e pastores de subsistência vão enfrentar, em breve, uma situação de desespero. “As chuvas sazonais de 2000 atrasadas e mal distribuídas foram a principal causa da queda na produção de grãos.” As produções também diminuíram porque os agricultores estavam relutantes em investir em sementes e fertilizantes aprimorados devido às expectativas incertas de colheita.
Os preços baixos dos grãos em 2001 também contribuíram para a má colheita deste ano, informou o documento, baseado em uma missão de avaliação de suprimento de alimentos e colheita. A missão visitou todas as regiões do país em novembro e dezembro. A seca atingiu mais as baixadas, mas o relatório afirmou que as principais zonas de produção de cereais também foram afetadas, reduzindo a produção de cereais em 20 a 30 por cento.
A FAO e o WFP estimam que a produção de legumes e cereais de 2002 será de 9,2 milhões de toneladas, 25% inferior à colheita do ano passada. Com isso, a Etiópia precisará importar 2,3 milhões de toneladas de cereais em 2003. Com a previsão de importações comerciais em 328 mil toneladas, o déficit é de 1,8 milhão de toneladas. Esse déficit terá de ser coberto por uma combinação de ajuda alimentar e doações de emergência.
Fonte: Reuters




