27/12/2002 11h21 – Atualizado em 27/12/2002 11h21
SÃO PAULO – A Rússia suspendeu, no último dia 24, as importações de carne suína do estado de Santa Catarina, medida que pode gerar prejuízo de US$ 25 milhões por mês ao estado.
A justificativa dos russos para o embargo à Santa Catarina é que o rebanho suíno do estado estaria contaminado pela doença de Aujeszky. O estado de Santa Catarina responde por cerca de 70% das exportações brasileiras de carne suína para a Rússia, que até novembro somaram 330 mil toneladas.
Conforme fonte ligada aos veterinários russos sediados no país (responsáveis pela inspeção do produto destinado à Rússia), o governo brasileiro se omitiu ao não comunicar a existência de casos da doença em Santa Catarina. Segundo essa fonte, os funcionários russos tomaram conhecimento do fato por reportagens na TV.
A fonte diz ainda que o certificado sanitário emitido pelo governo garante que Santa Catarina está livre de Aujeszky pelos últimos doze meses.
- Essa é a interpretação deles – rebate o secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, afirmando que o certificado informa que a carne embarcada para a Rússia procede de granjas de suínos localizadas em território livre da doença.
Oliveira garante que o Brasil prestou “todos os esclarecimentos necessários ao governo russo” na semana passada e notificouParaná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul como zonas temporariamente livres da doença à Organização Internacional de Epizooties (OIE).
- Santa Catarina está erradicando o Aujeszky – diz João Cavallero, diretor do departamento de defesa animal do Ministério da Agricultura, referindo-se ao programa de erradicação da doença em curso no estado, já em sua fase final.
Por isso a permissão de comunicar à OIE a área como “temporariamente livre da doença”. Iniciado no segundo semestre de 2000, o programa detectou sorologia positiva em 35 mil matrizes, ou 1,5% do plantel catarinense. Até 15 de janeiro, serão sacrificados animais de 74 propriedades para eliminar a doença.
Originário da União Européia (UE), o vírus de Aujeszky ataca granjas de reprodutores de suínos. Ele provoca abortos nas matrizes e agrava doenças respiratórios durante a fase de desenvolvimento dos leitões. O vírus é inofensivo para os seres humanos e não é tão contagioso como a febre aftosa.
Para Claúdio Martins, diretor-executivo da Abipecs (associação que reúne os exportadores de suínos), a decisão russa é uma represália à medida brasileira pela qual foi fixado direito antidumping sobre as importações de nitrato de amônia da Rússia e da Ucrânia. A substância é utilizada na fabricação de fertilizantes.
- Os russos já estavam ameaçando com alguma represália se o antidumping fosse aplicado.
Martins lamenta o episódio já que as importações de nitrato da Rússia respondem por cerca de US$ 20 milhões, enquanto as vendas de carne suína estão ao redor de US$ 400 milhões.
- Isso é uma barreira sanitária com razões econômicas – diz Oliveira.
Com preços bastante competitivos, o Brasil elevou suas exportações de carne suína para a Rússia de 10 mil toneladas em 2000 para 350 mil esse ano.
Segundo Martins, o setor pode pedir uma audiência na Rússia para tratar do tema, caso a suspensão não seja revista. A medida é mais uma dor de cabeça para o setor, já que a Rússia também pode sobretaxar a importação de carne suína.




