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domingo, 3 de maio de 2026

Empresário antecipou suicídio e morte de família em carta

24/12/2002 10h41 – Atualizado em 24/12/2002 10h41

O empresário paulistano Nelson Shugi Miyazaki, 44, deixou uma carta endereçada aos funcionários da empresa de marcenaria de sua propriedade, antecipando sua morte. Miyazaki, sua mulher e os dois filhos do casal foram encontrados mortos, degolados, na chácara da família, no Parque da Fazenda, condomínio de alto padrão, em Itatiba (84 km de SP).

A carta foi entregue ontem à Polícia Civil de Jundiaí por Aloizio da Silva Moraes, 38, que trabalhava havia 15 anos com o empresário. Na carta, Miyazaki, agradece os funcionários, afirma que estava com problemas financeiros e também emocionais.

“Vim fazendo todo o possível para saldar minha dívida na praça (…) tomei calote, tomei canseira, passei muita raiva perante meus clientes. Só Deus sabe meu sofrimento, minha angustia e minha situação (…) estarei torcendo por vocês lá em cima”, afirmou o empresário na carta.

De acordo com o delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Paulo Tucci, a carta vem consolidar a tese levantada pela polícia.

Segundo ele, os problemas financeiros teriam motivado Miyazaki a matar a mulher, os filhos e depois se suicidar, utilizando duas facas e uma marreta.

“As provas conduzem para essa convicção. Se não aparecerem novas provas, esse [problemas financeiros] teria mesmo sido o motivo. Acho que seria bom pedir a quebra do sigilo bancário”, afirmou o delegado.

Além de apresentar a carta, o funcionário contou à polícia Miyazaki teria telefonado para um outro funcionário, identificado como Everardo. No telefonema, o empresário teria avisado o funcionário de que seu pagamento estava dentro de um envelope, em uma gaveta, na empresa.

No último sábado, os dois funcionários encontraram o envelope com o dinheiro e também a carta, segundo a polícia.

As pendências com os funcionários eram uma das preocupações de Miyazaki. “Se vocês julgam que eu só exploro, enganam-se totalmente (…) Fui obrigado a fechar alguns serviços mais baratos para saldar minhas dívidas perante vocês”, afirma na carta.

De acordo com Tucci, os depoimentos também apontaram que o empresário já estaria decidido a cometer o crime antes mesmo de chegar na chácara com a família, na tarde da última sexta-feira.

“Os funcionários disseram que ele deixou o arquivo da empresa aberto e também deixou pastas com projetos sobre a mesa. Algo que nunca acontecera, segundo os empregados”, disse Tucci.

O delegado também ouviu ontem o cunhado de Miyazaki Luiz Antônio Cipriano, 43, e uma irmã de Neusa Yassuku Mamamoto Miyazaki, 46, mulher do empresário.

“Eles não souberam informar sobre a situação financeira da família. Eles contaram detalhes da noite do crime”, disse Tucci.

Cipriano recebeu o telefonema de Miyazaki, no final da tarde da última sexta-feira. No telefonema, o empresário disse ao cunhado que uma tragédia havia acontecido na chácara.

Quando chegou em Itatiba, Cipriano encontrou apenas uma faca ensangüentada na pia da cozinha. Ele tentou encontrar os parentes em hospitais da cidade.

Sem sucesso, ele ligou para mulher, que também foi até a chácara. Os dois dormiram na casa é só encontraram os corpos na manhã seguinte, em um pomar da propriedade. “Não tinha como ver [os corpos]. Têm muitas plantas no pomar”, disse Tucci.

Fonte: Folha Campinas

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