20/12/2002 09h54 – Atualizado em 20/12/2002 09h54
O Ministério francês de Transportes informou hoje que os ultraleves e os aviões de turismo não poderão sobrevoar durante 90 dias, a partir de hoje, a região parisiense nem as instalações industriais e nucleares, de acordo com medidas especiais contra possíveis atentados terroristas.
Estas medidas representam um reforço ao “plano Vigipirate” de prevenção ao terrorismo, que está em vigor desde os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.
A decisão de proibir estes vôos durante 90 dias foi tomada pelo temor de um atentado químico em Paris, iniciado após a prisão na segunda-feira passada de quatro supostos terroristas islâmicos com produtos suspeitos, que finalmente se comprovou que poderiam servir para produzir bombas.
De acordo com a emissora de informação contínua LCI, os detidos confessaram que preparavam atentados com explosivos em locais simbólicos e instalações públicas de Paris como parte da “guerra santa”. Estes supostos atentados abortados teriam sido reivindicados do exterior em um comunicado por uma organização próxima à Al-Qaeda.
Os quatro presos na localidade de Corneuve (ao norte de Paris), três homens e uma mulher, tinham chegado na França há três semanas e estavam ligados a outros grupos na Europa, especialmente no Reino Unido e na Alemanha.
Os quatro irão hoje ao júri antiterrorista de Paris, formado por Jean-Louis Bruguiere e Jean-François Ricard, para o início do processo. No apartamento dos suspeitos foi encontrado percloreto de ferro, dois bujões de butano de 13 quilos vazios, componentes eletrônicos para elaborar detonadores, grande quantidade de dinheiro, um computador e equipamento militar contra contaminação química, biológica e nuclear, que havia sido utilizado.
O suposto chefe do grupo é o franco-argelino Mirouane Ben Ahmed, de 29 anos, que pode ter sido formado no Afeganistão e na Chechênia, segundo a contra-espionagem francesa.
Os investigadores estabeleceram, além disso, a relação entre Ahmed e o chamado grupo de Frankfurt, que foi desmantelado em dezembro de 2000 quando supostamente preparava um atentado contra o mercado de Natal de Estrasburgo (nordeste da França).
Os outros detidos na segunda-feira são sua mulher, um homem de nacionalidade argelina e outro de origem marroquina. Um quinto suposto terrorista foi preso na quarta-feira ao ser ligado à investigação judicial sobre as “redes chechenas” na França, aberta em novembro, porém foi colocado em liberdade ontem sem acusações.
Fonte: Agência EFE



