20/12/2002 11h08 – Atualizado em 20/12/2002 11h08
CARACAS – Executivos dissidentes da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) desafiaram uma decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que na quinta-feira havia declarado a ilegalidade da greve dos petroleiros e exigido o retorno dos funcionários ao trabalho, depois de 18 dias de paralisação.
Os petroleiros aderiram à chamada “greve cívica”, organizada pela oposição e que visa a forçar a renúncia do presidente Hugo Chávez.
“Nós não voltaremos ao trabalho até que o Governo decida realizar novas eleições”, disse um executivo. “Eu e muitos dos meus colegas decidimos que exerceremos os nossos direitos de cidadãos para protestar contra o Governo”.
Líderes da greve citaram uma cláusula da Constituição venezuelana que permite que os cidadãos se rebelem contra um Governo que considerem não democrático.
O ministro da Energia, Rafael Ramirez, fez um pronunciamento pela televisão, na noite de quinta-feira, em que exortou os petroleiros a cumprir a determinação da suprema corte.
E Felix Rodríguez, o diretor de produção da companhia estatal, argumentou que a greve estaria ameaçando a segurança nacional.
Os protestos contra Chávez tornaram-se violentos na quinta-feira, quando soldados da Guarda Nacional dispararam tiros de borracha e usaram gás lacrimogêneo contra manifestantes oposicionistas na cidade litorânea de Barcelona.
Pelo menos 27 pessoas ficaram feridas, de acordo com o governador do estado de Anzoategui, David de Lima.
O governo não fez comentários de imediato sobre os incidentes na cidade.
Na noite de quinta-feira, Carlos Ortega, o líder da principal central sindical do país e um dos organizadores da greve geral, anunciou que a paralisação continuará.
Em uma entrevista coletiva, Ortega referiu-se a Chávez como “ditador” e “criminoso” e pediu mais protestos contra o governo nesta sexta-feira, o décimo nono dia da greve.
A paralisação levou à redução de até 90 por cento das exportações de petróleo da Venezuela – o quinto maior produtor mundial e um dos principais fornecedores de óleo para os Estados Unidos.
A redução nas vendas representaria perdas de 40 milhões de dólares por dia, segundo dados oficiais.
Nos mercados internacionais, a crise venezuelana elevou os preços do barril de petróleo para mais de 30 dólares.
No mercado interno, a greve já está causando escassez de gasolina e de outros produtos.
A popularidade de Chávez caiu desde a sua reeleição, em 2000, mas, de acordo com a revista VenEconomy, o presidente continua com forte apoio entre as camadas mais pobres do país, parcela que representa 80 por cento da população, de 24 milhões de habitantes.
Fonte: Associated Press / Reuters





