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sábado, 2 de maio de 2026

Fígado com câncer é retirado, tratado e reimplantado

19/12/2002 08h31 – Atualizado em 19/12/2002 08h31

Cientistas italianos testaram uma nova técnica para tratar o câncer de fígado em que o órgão é removido, submetido a radiação e depois é implantado novamente no paciente. Um homem de 48 anos foi o primeiro paciente a ser submetido ao tratamento inovador no Hospital San Matteo, em Pavia, na Itália. Ele está livre da doença um ano após ser tratado numa cirurgia de 21 horas para mais de 14 tumores no fígado. “A operação fora do corpo permite que os médicos administrem altas doses de radiação em tumores disseminados sem afetar outros órgãos”, informou a revista New Scientist na quarta-feira. O cirurgião Aris Zonta e o médico Tazio Pinelli, do Instituto Nacional de Medicina Nuclear, na Itália, que coordenaram o procedimento, estão aguardando aprovação para tratar outros seis pacientes com tumores múltiplos. O primeiro paciente tinha câncer de cólon, que se espalhou para o fígado. O câncer não respondeu à quimioterapia e estava tão disseminado que a radioterapia convencional destruiria o fígado. A equipe decidiu testar a terapia por captura de nêutron de boro. Os pesquisadores vêm trabalhando desde 1987 com essa técnica, que foi testada pela primeira vez na década de 50. O procedimento envolve a injeção de um fluído contendo átomos de boro no paciente e o uso de um feixe de nêutrons de baixa energia, a fim de quebrar o boro em partículas que matam as células cancerosas. Mas uma dose uniforme de nêutrons é necessária para tratar todo o órgão e os ossos do corpo podem bloquear o feixe. Por isso, os cirurgiões removeram o fígado, o trataram e depois o implantaram novamente no corpo. “Ao retirar o órgão, poderíamos fornecer uma dose alta e uniforme para todo o fígado, o que é impossível de obter dentro do corpo sem risco grave ao paciente”, disse Pinelli à revista. O tratamento, chamado Taormina, foi bem-sucedido e pode dar novas esperanças a pacientes em estado grave. Mas ele pode ser adequado apenas para pessoas cujo câncer se espalhou somente para um órgão e se elas estiverem fortes para sobreviver à operação. “No momento, a técnica está sendo testada em pacientes com tumores cerebrais que não podem ser tratados – obviamente sem remover o órgão em questão”, acrescentou ele.

Fonte: Terra

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