18/12/2002 15h36 – Atualizado em 18/12/2002 15h36
Um enviado do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, viaja hoje à Venezuela, onde se encontrará com o presidente Hugo Chávez e com autoridades do país. A ação pode dar início a uma mediação brasileira na crise política de seu vizinho. “Estou hoje viajando para a Venezuela. Vou como enviado do presidente eleito para conversar com o presidente (Hugo) Chávez, com o secretário-geral da OEA e com outras autoridades”, disse Marco Aurélio Garcia, especialista em assuntos internacionais e atual secretário da Cultura do Estado de São Paulo. Mas, Garcia informou que sua missão “é de informação para o presidente Lula” e não o início de uma mediação do Brasil entre o governo de Chávez e sua oposição.
O governo da Venezuela, imerso em uma aguda crise política, enfrenta pela terceira semana uma paralisação nacional convocada pela oposição, que pede a renúncia de Chávez. O conflito político na Venezuela – quinto maior exportar de petróleo do mundo – tem provocado preocupação em Washington, enquanto o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou na segunda-feira uma resolução que recomenda uma solução eleitoral à crise.
O secretário-geral da OEA, César Gaviria, está em Caracas há seis semanas liderando uma missão que busca uma saída negociada para o país, que viveu em abril um golpe de estado que derrubou Chávez por cerca de 48 horas.
Ele acrescentou que uma mediação do Brasil na situação política da Venezuela “pode ser uma conseqüência” de sua viagem, algo que aconteça “mais adiante”.
O futuro ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse recentemente que o Brasil pode mediar a crise política da Venezuela, desde que esse ato não for visto como uma intromissão. Amorim, atualmente embaixador do Brasil no Reino Unido e nomeado chanceler por Lula, disse de Londres que uma solução para a difícil situação venezuelana “passa pela via do diálogo e não da imposição. Se se adota uma solução democrática por imposição, ela deixa de ser democrática”.
Fonte: Reuters





