29/11/2002 10h55 – Atualizado em 29/11/2002 10h55
Um grupo de pesquisadores de Tirol, na Áustria, conseguiu dar um importante passo para uma vacina contra o câncer ao utilizar células próprias de pacientes para ativar o sistema imunológico contra um tumor maligno.
Fontes da Clínica Universitária de Innsbruck informaram hoje que a equipe liderada pelos urologistas Martin Thurnher e Lorenz Hoeltl desenvolveu uma nova forma de tratamento de imunização baseada nas células dendritas, leucócitos que protegem o organismo contra os agentes patogênicos.
As células dendritas obtidas do sangue do paciente são misturadas no laboratório com moléculas específicas dos tumores, como peptídeos e antígenos, que se apresentam exclusivamente ou antes de tudo no tecido maligno. Disso se produz um “coquetel” de células que deve incentivar ao sistema de imunidade do corpo a formar os linfócitos T citotóxicos, que detectam as células cancerígenas e as destroem.
Os pacientes afetados são inoculados com três vacinas com intervalo de um mês. As células dendritas ainda inativas criadas em cultivos são ativadas com fatores inflamatórios e injetadas nos doentes. O detalhe deste procedimento é encontrar a mistura ajustada às necessidades individuais para causar um impacto ótimo.
A vacina contra o câncer tem a vantagem que não tem efeitos colaterais, no mais alto grau uns leves sintomas parecidos aos de uma gripe, explicou Thurnher. Além disso, o método pode ser aplicado contra muitas formas de câncer, por exemplo contra os tumores renais nos quais os tratamentos convencionais não surtem efeito, mas também contra os carcinomas de próstata e melanomas (câncer da pele).
A equipe publicou um relatório sobre os primeiros estudos clínicos, efetuados desde 1997, em 29 pacientes que sofriam de carcinomas renais com metástase e tinham expectativas de vida de um ano como máximo. Em dois desses pacientes, os tumores foram expulsos totalmente depois que lhes foi administrada a vacina, em um paciente se constatou uma reação parcial e outros sete permaneceram pelo menos estáveis.
Fonte: Agência EFE






