27/11/2002 13h30 – Atualizado em 27/11/2002 13h30
ROMA – Foi com ceticismo que os especialistas receberam as declarações do médico italiano Severino Antinori, segundo o qual uma mulher está prestes a dar à luz um bebê clonado do sexo masculino, o que ocorreria em janeiro.
Anteriormente, o Dr. Antinori declarou, mas não provou, que várias mulheres tinham em seu ventre bebês clonados – por exemplo, em março de 2001, prometeu criar um clone humano num prazo de 18 meses. Não houve ainda provas de que isso tenha acontecido.
O médico que clonou a ovelha Dolly, professor Ian Wilmut, do Instituto Roslin, em Edinburgo, na Escócia, disse que as pessoas devem ser “extremamente céticas” a respeito do que Antinori declara.
Segundo Wilmut, Antinori dissera ter clonado um grande número de porcos e até de primatas, mas ninguém nunca os viu e nenhum documento científico específico sobre o assunto foi publicado.
Michael Le Page, editor de notícias da revista New Scientist, disse à CNN que era muito difícil saber em que acreditar quando Antinori se tornou conhecido por fazer comentários ousados.
“Se alguém clonou um bebê humano eu ficaria muito surpreso que isso fosse imediatamente anunciado”, disse Le Page.
Ele afirmou que a clonagem era ilegal em alguns países, como na Grã-Bretanha. Então, se um bebê clonado fosse anunciado e um ano depois fosse descoberto que era de alguma forma retardado, os médicos envolvidos pareceriam “um bocado tolos”.
Mas John Kilner, presidente do Centro para Bioética e Dignidade Humana, afirmou: “Ao mesmo tempo em que há razões bem-fundamentadas para sermos céticos quanto às declarações do Dr. Antinori de que uma mulher deve dar à luz um clone em breve, ele nos lembra que existem aqueles que continuariam esta busca perigosa e sem ética”.
“Tais experiências submetem seres humanos produzidos através da clonagem a um alto risco de morte e deformidade. A melhor forma de garantir que a clonagem não tenha prosseguimento é aprovar uma proibição abrangente da clonagem humana. Os Estados Unidos devem fazer isso o mais breve possível e continuar a pressionar por um tratado semelhante junto às Nações Unidas. A despeito da saúde e do bem-estar do clone por nascer, todos os países devem afirmar os direitos humanos das crianças. O risco de não fazer nada é inaceitável”.
Antinori disse em entrevista coletiva em Roma, na terça-feira, que uma mulher estava grávida de 33 semanas – oito meses – de um menino clonado e que a criança estava se desenvolvendo de forma “absolutamente saudável”.
Em abril, Antinori disse que sabia de três gestações – então na nona, na sétima e na sexta semana de desenvolvimento, respectivamente – envolvendo bebês clonados. Na terça-feira, declarou que a primeira estava quase a termo.
Entretanto, de acordo com sua declaração de abril, a gravidez mais antiga já teria passado de nove meses em meados de novembro. Antinori não explicou a discrepância.
Ele também recusou-se a especificar se tinha algum papel nas supostas clonagens. Disse apenas que não estaria envolvido com o parto do bebê, mas que dera sua “contribuição científica e cultural” a um consórcio de cientistas relacionados com as gestações.
Antinori negou-se a identificar os cientistas. Outros grupos também alegam estar trabalhando num clone humano.
O médico não quis tampouco identificar a mulher que teria o bebê clonado em janeiro, nem divulgou sua nacionalidade. Quando perguntado sobre onde ela teria a criança, limitou-se a dizer que seria em “países onde isso é permitido”.
A clonagem já foi declarada ilegal em muitos países.
Antinori, que dirige uma clínica particular de fertilização em Roma, ganhou os noticiários pela primeira vez nos anos 1990, quando usou óvulos doados e hormônios para ajudar uma mulher de mais de 60 anos a ter um filho.
Especialistas já ignoraram outras alegações de Antinori e dizem duvidar que ele seja capaz de produzir a gestação de um clone.
Fonte: Associated Press





