25/11/2002 09h18 – Atualizado em 25/11/2002 09h18
QUITO – O ex-líder golpista Lucio Gutiérrez venceu, no domingo, o segundo turno das eleições presidenciais no Equador, informou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apuradas quase todas as urnas, Gutiérrez, um coronel reformado, de 45 anos, aparece com 54,34 por cento dos votos válidos. Seu adversário, o magnata Alvaro Noboa, de 52 anos, tem 45,66 por cento.
A nação andina, de 12,2 milhões de habitantes, votou para substituir Gustavo Noboa, que havia assumido a Presidência depois do golpe de Estado que derrubou seu antecessor Jamil Mahuad, em 2000.
Em uma entrevista coletiva, Alvaro Noboa – que não tem parentesco com o atual chefe de Estado – admitiu tacitamente sua derrota ao declarar que manterá sua luta para “resolver os problemas econômicos dos equatorianos e para fazer com que o Equador tenha habitação, tenha saúde e tenha empregos e segurança”.
Gutiérrez é o segundo ex-líder golpista que chega à Presidência de um país latino-americano, depois do presidente da Venezuela, Hugo Chávez – um tenente-coronel reformado que tentou um golpe de Estado em 1992.
O presidente eleito do Equador, que cumpriu seis meses de prisão por apoiar o golpe de 2000, se candidatou sustentado por uma coalizão de grupos indígenas e de esquerda.
Mas Gutiérrez, que é também um engenheiro civil, conseguiu acalmar os banqueiros e os investidores internacionais ao prometer que manterá uma disciplina fiscal e o sistema monetário vigente no país há dois anos.
O Equador, que é o maior exportador mundial de bananas e obtém grande parte de suas divisas com o petróleo, teve cinco presidentes nos últimos cinco anos, entre eles Abdalá Bucaram, que foi destituído em 1997 por “incapacidade mental”, depois de ter sido acusado de corrupção durante sua breve gestão de seis meses.
Uma grave crise econômica irrompeu no final de 1998. No ano seguinte, o país teve que declarar uma moratória dos pagamentos de sua dívida externa.
Em 2001, o Equador registrou um crescimento de 5,6 por cento, um dos mais altos na América Latina, mas ainda insuficiente para tirar o país da crise.
Os investidores internacionais insistem em que o próximo presidente do Equador deve fazer com que o país assine um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fim de obter um empréstimo, de 240 milhões de dólares, que consideram vital para evitar o caos fiscal frente à pesada dívida externa.
Fonte: Reuters e da Associated Press






