25/11/2002 10h04 – Atualizado em 25/11/2002 10h04
BOSTON, EUA – Aumentaram as esperanças dos médicos de um dia conseguir erradicar o câncer cervical, como já aconteceu com a poliomielite e a varíola. O motivo é o sucesso total de uma vacina recentemente testada contra o HVP, o vírus do papiloma humano.
“São evidências de que esta vacina vai prevenir o câncer cervical”, disse o Dr. Christopher Crum, patologista do Brigham and Womendocument.write Chr(39)s Hospital, em Boston.
Ainda não se sabe o tempo de proteção da vacina, mas esta deverá estar disponível dentro de cinco anos. A descoberta foi publicada na edição desta semana do New England Journal of Medicine.
A vacina funciona ensinando ao sistema de defesa do corpo como reconhecer vírus invasores e bactérias. Atribui-se a maioria dos tipos de câncer a mutações genéticas e fatores ambientais. Entretanto, virtualmente todos os tipos de câncer de útero são causados pelo HVP, um vírus transmitido sexualmente.
A doença atinge cerca de 450 mil mulheres por ano em todo o mundo, matando metade delas. É a principal causa de morte por câncer em mulheres dos países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos, onde os exames de Papanicolau são amplamente usados no diagnóstico, a doença atinge 15 mil mulheres por ano, matando um terço.
A nova vacina tem como alvo a cepa viral Tipo 16, responsável por cerca da metade dos casos da doença. Foi testada em mulheres com idades entre 16 e 23 anos, nos Estados Unidos, em um estudo liderado pelo laboratório Merck e pela Universidade de Washington. A Merck desenvolveu a vacina e custeou a pesquisa. As mulheres foram observadas em média por quase um ano e meio.
Das 768 mulheres que receberam as injeções da vacina, nenhuma apresentou infecções do Tipo 16 ou tecido pré-canceroso. Das 765 que receberam doses inócuas, 41 apresentaram infecções persistentes e nove desenvolveram tecido pré-canceroso.
As mulheres vacinadas produziram quase 60 vezes a concentração de anticorpos para combater o vírus do que a quantidade verificada nas pacientes naturalmente infectadas. Alguns pesquisadores haviam suspeitado de que a membrana mucosa do colo do útero imporia uma barreira a estes anticorpos.
Mesmo assim, como o câncer cervical é causado por múltiplas cepas de vírus, não é certo que a doença possa ser erradicada.
Mas a vacina poderia ajudar a eliminar os outros danos causados pelo vírus, como as verrugas genitais e raras formas de câncer no pênis, no ânus, na vagina e na boca.
Os homens também poderiam receber a vacina para evitar que contaminassem as mulheres durante as relações sexuais.
Fonte: Associated Press





