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sábado, 25 de abril de 2026

Polícia vai pedir exame de DNA de Roberta

25/11/2002 13h15 – Atualizado em 25/11/2002 13h15

GOIÂNIA – A polícia vai pedir o exame de DNA de Roberta Jamilly Martins Borges, de 23 anos, e de Francisca Maria Ribeiro da Silva, de 63, que teve uma filha recém-nascida seqüestrada em 4 de março de 1979 na Maternidade de Maio, em Goiânia. O delegado Antônio Gonçalves Pereira dos Santos, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), pedirá hoje o desarquivamento do inquérito. Vilma Martins Costa, acusada de ter seqüestrado Pedro Braule Pinto em 21 de janeiro de 1976 do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, surge como principal suspeita.

A desconfiança de que Roberta pode ser filha de Francisca decorre do fato de constar em documentos escolares como data de nascimento 5 de março de 1979, um dia depois do desaparecimento do bebê. A polícia estranha o fato de Vilma ter demorado 16 anos para registrar Roberta e de ter informado como data de nascimento 5 de março de 1981.

A polícia desconfia que o registro tenha sido feito tanto tempo depois para que não fosse feita a ligação com o sumiço do bebê. O que também causou desconfiança foi o fato de Vilma sair de Goiânia para dar à luz numa cidade do interior, onde o atendimento médico é bem inferior.

Francisca vive dias de grande expectativa e ansiedade:

— O que mais desejo na vida agora é fazer esse exame de DNA, única forma de pôr um ponto final nessa história.

Roberta anunciou que não vai se submeter ao exame. A estudante disse que está satisfeita com a mãe que tem e com a vida que leva.

— Aqui não vai ter um segundo caso Pedrinho. Não vou fazer exame de DNA nem amarrada. Não tenho que dar satisfação a ninguém. Minha mãe é Vilma e meu pai é Jamal — disse, com visível desconforto ao tratar do assunto.

Jamille foi homenagem ao hipotético pai Jamal – O delegado trabalha com a hipótese de que Vilma seqüestrou Roberta para induzir o fazendeiro Jamal Rassi a acreditar que a menina era filha dele. Os dois estavam tendo um romance e ela exigia vínculos mais duradouros. A mesma fórmula teria sido usada com sucesso sete anos depois, quando Vilma seqüestrou Pedrinho para, segundo a polícia, forçar o auditor fiscal Osvaldo Borges a se casar.

Segundo Gonçalves, Vilma usou o nome Jamille para homenagear Jamal. Até os 16 anos ela assinava Roberta Jamille Rassi. Mas Jamal nunca reconheceu Roberta como filha. Em 12 de fevereiro de 1997, Osvaldo, já casado com Vilma, assumiu a paternidade e a registrou como Roberta Jamilly Martins Borges.

Jamal não foi localizado. Segundo João, um de seus filhos, ele está numa fazenda em Tocantins.

— Nada sabíamos sobre essa história. Ficamos sabendo agora pelos jornais e nada temos a declarar — disse.

Com a saúde fragilizada, Vilma também está com dificuldades financeiras. Segundo a filha Christiane, a marcenaria Marabela Móveis e Decorações, uma das principais fontes de renda da família, foi praticamente abandonada pela mãe pouco antes da morte de Osvaldo, em outubro.

Fonte: Jornal O GLOBO

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